Fantástico revela registro da colisão do helicóptero que matou Rick
Câmeras registram últimos minutos de helicóptero que caiu na Serra catarinense
O programa “Fantástico” exibiu, neste domingo (27), novos registros dos últimos minutos do helicóptero que caiu na Serra catarinense e matou o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, e outras quatro pessoas.
Câmeras de segurança instaladas em propriedades rurais registraram a passagem da aeronave pela região. Às 11h32, os equipamentos captaram o som da colisão com o terreno. As imagens fazem parte dos elementos utilizados pelas autoridades para reconstruir o trajeto do helicóptero antes do acidente.
Aviso antecipou piora do tempo
A reportagem também revelou uma troca de mensagens entre a tripulação e Juliano Luft, operador do aeroporto de Lages, onde o Bell 430 faria uma parada para reabastecimento.
Às 7h52, após enviar uma foto mostrando as condições meteorológicas, Luft alertou: “Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor.”
O comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo também telefonou para obter informações sobre o clima. Segundo Luft, o piloto tinha conhecimento de que as condições meteorológicas estavam desfavoráveis no destino.
Naquela manhã, a Defesa Civil havia emitido um alerta de tempestade severa para a região de São Joaquim, com previsão de granizo, vendaval e raios.
O que indica a perícia?
A Polícia Científica utiliza drones e um scanner tridimensional para reproduzir virtualmente a área da queda. O trabalho busca determinar a trajetória da aeronave, analisar a posição dos destroços e comparar as dimensões do helicóptero com as marcas deixadas no terreno.
O impacto fragmentou o Bell 430, que tinha mais de 15 metros de comprimento. A principal parte da aeronave localizada pelos peritos ficou reduzida a pouco mais de três metros.
O helicóptero atingiu uma área de mata fechada, a aproximadamente 1.700 metros de altitude, em uma região de relevo íngreme e de difícil acesso.
O engenheiro aeronáutico Jorge Eduardo Leal Medeiros, professor da Escola Politécnica da USP, ouvido pelo “Fantástico”, afirmou que os registros disponíveis, até o momento, não indicam uma pane mecânica como hipótese principal. Entre as possibilidades preliminares estão as condições meteorológicas e a ocorrência de uma possível corrente descendente de ar, fenômeno que pode provocar uma rápida perda de altitude, especialmente em áreas montanhosas.
A causa do acidente, porém, ainda depende da conclusão das investigações oficiais.
Helicóptero passou perto de moradores
Pouco antes da queda, moradores da região também registraram a passagem do Bell 430.
A menos de três quilômetros do local do acidente, o artesão Israel Rosa filmou a aeronave e relatou não ter percebido fumaça, alteração no ruído dos motores ou mudança aparente de velocidade.
O helicóptero havia decolado de Porto Belo, às 11h, com destino a São Joaquim. Às 11h17, Juliano Luft tentou novamente contato com a tripulação para saber se a parada em Lages seria mantida, mas a mensagem já não foi recebida.
Investigação tenta reconstruir os últimos minutos
Rick morreu na segunda-feira (21), aos 59 anos. Também estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Não houve sobreviventes.
Os destroços foram localizados no dia seguinte, após uma operação que contou com a participação da Força Aérea Brasileira (FAB), bombeiros, Defesa Civil e voluntários.
As buscas se concentraram na área entre o último registro de um celular, na região de Vacas Gordas, e o último sinal conhecido do helicóptero, na localidade de Santa Bárbara.
A Polícia Científica continua analisando os destroços, enquanto a investigação aeronáutica busca informações dos equipamentos de bordo para reconstruir a sequência exata dos acontecimentos.
Fabricado em 2001, o Bell 430 estava com a documentação regular e autorizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para voos noturnos e por instrumentos.





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