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A má notícia do PIB do segundo trimestre para o presidente Lula

A má notícia do PIB do segundo trimestre para o presidente Lula

PIB do 2º trimestre expõe limites dos estímulos do governo Lula antes da eleição

O desempenho da economia brasileira no segundo trimestre trouxe um sinal de alerta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca o quarto mandato em uma disputa eleitoral marcada pelo equilíbrio. Apesar das medidas de estímulo adotadas pelo governo, o consumo das famílias recuou 0,4% entre abril e junho, na comparação com os três meses anteriores.

A queda ocorreu mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) registrando crescimento de 0,5% no período, resultado ligeiramente superior à projeção média dos analistas, que apontava expansão de 0,4%.

Nos últimos meses, o governo federal ampliou as iniciativas para estimular a atividade econômica e aumentar o poder de compra da população. A estratégia teve resultados importantes durante os primeiros mandatos de Lula, quando o país viveu um período de forte expansão do consumo e de aumento da popularidade do presidente. No cenário atual, porém, os efeitos dos estímulos parecem mais limitados.

O governo ainda conta com indicadores favoráveis para sustentar seu discurso econômico. O desemprego está em patamar historicamente baixo, a renda do trabalhador avançou e o Brasil voltou a apresentar melhora nos indicadores relacionados à segurança alimentar. Por outro lado, a manutenção de juros elevados tem dificultado uma expansão mais forte do consumo.

A taxa básica de juros, a Selic, permaneceu em níveis elevados durante boa parte do período. Desde março, quando estava em 15% ao ano, os cortes promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) foram modestos. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano, e a expectativa predominante entre analistas é de uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, levando a Selic para 13,75% até o fim do ano.

O ambiente de juros elevados é utilizado pelo Banco Central como instrumento para conter as pressões inflacionárias e manter as expectativas de inflação sob controle. Ao mesmo tempo, a política monetária mais restritiva encarece o crédito, reduz o consumo e contribui para o aumento do endividamento e da inadimplência das famílias.

Parte dos economistas também aponta que a expansão dos gastos públicos e a piora na trajetória da dívida dificultam uma queda mais acelerada dos juros. Nesse contexto, os estímulos adotados pelo governo podem acabar tendo efeito contrário ao esperado, ao ampliar as preocupações com as contas públicas e prolongar o período de taxas elevadas.

A definição dos próximos passos da política econômica deverá ganhar ainda mais importância após a eleição presidencial. Em caso de reeleição, Lula terá a responsabilidade de apresentar uma estratégia fiscal para 2027 capaz de recuperar a confiança dos agentes econômicos e abrir espaço para uma redução mais consistente dos juros.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, vem ampliando o diálogo com representantes do mercado financeiro. Na segunda-feira (31), Lula também se reuniu com banqueiros e empresários no Palácio da Alvorada, em um movimento que reforça a tentativa do governo de estreitar a relação com o setor privado.

O desafio, entretanto, será transformar o discurso em medidas concretas. A dívida bruta do governo terá aumentado mais de 10 pontos percentuais desde 2023, tornando o ajuste das contas públicas mais complexo e custoso para um eventual novo mandato petista.

Para conseguir uma redução sustentável dos juros e melhorar as condições financeiras das famílias, Lula terá de demonstrar, além das declarações, compromisso efetivo com o equilíbrio fiscal. O resultado poderá ser decisivo para recuperar o espaço perdido no orçamento doméstico e dar novo impulso ao consumo.

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