Acordo entre Lula, Hugo e Alcolumbre depende das eleições, diz especialista
Acordo sobre “blusinhas” pode depender do resultado das eleições
O acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para avançar na votação do fim da taxa sobre compras internacionais de baixo valor pode ter duração condicionada ao resultado das eleições de 2026.
A avaliação é do cientista político Rafael Cortez, professor do IDP, que apontou que a aproximação entre os chefes dos Poderes Legislativo e Executivo envolve interesses que vão além da pauta econômica, incluindo a manutenção do comando do Congresso.
Segundo Cortez, uma eventual vitória de Lula e sua reeleição fortaleceriam a tendência de continuidade da aliança. Nesse cenário, Motta e Alcolumbre teriam interesse em preservar a aproximação com o governo federal.
“Vai depender do resultado eleitoral”, afirmou o especialista.
Por outro lado, uma derrota de Lula poderia provocar uma nova reorganização política. “É um jogo quase tudo do zero”, avaliou Cortez, indicando que os líderes do Congresso precisariam recalcular suas estratégias diante de um novo cenário de poder.
Aproximação indica percepção de força de Lula
Para o cientista político, a mudança de postura de Hugo Motta e Davi Alcolumbre também sinaliza que ambos reconhecem Lula como um candidato competitivo e com possibilidade concreta de permanecer no Palácio do Planalto.
Cortez lembrou que Motta já havia manifestado publicamente uma posição favorável à reeleição de Lula, o que teria contribuído para criar um novo ambiente entre Executivo e Legislativo.
A avaliação ocorre após um primeiro semestre marcado por conflitos entre o governo e o Congresso. Naquele período, segundo o especialista, poucas pautas de interesse do Executivo avançaram e algumas das propostas aprovadas representaram aumento da pressão sobre as contas públicas, nas chamadas “pautas-bomba”.
Com a reaproximação entre Lula e os presidentes das duas Casas, o cenário passou a favorecer uma agenda legislativa mais próxima dos interesses do governo.
Reforma da escala 6x1 enfrenta mais resistência
Apesar da mudança no relacionamento entre os Poderes, Cortez considera exagerado imaginar que pautas mais complexas terão tramitação facilitada.
Entre elas está a proposta de redução da escala de trabalho 6x1, que envolve uma mudança constitucional e enfrenta resistência de setores econômicos com influência sobre deputados e senadores.
Atuação do STF preocupa cientista político
A participação de ministros do Supremo Tribunal Federal nas articulações políticas também foi abordada na entrevista.
Cortez citou o jantar realizado na residência do ministro Alexandre de Moraes, que reuniu Lula e Alcolumbre em um momento de distanciamento entre os dois. Para o especialista, o encontro funcionou como um indicativo da mudança na relação entre Executivo e Legislativo.
Ao mesmo tempo, ele demonstrou preocupação com a crescente participação de integrantes do STF em movimentos de natureza política.
Segundo Cortez, essa aproximação pode provocar uma sobreposição entre as funções institucionais dos chefes dos Poderes, ministros do Supremo e lideranças partidárias, gerando uma reorganização que, em sua avaliação, nem sempre preserva os princípios republicanos.
Assim, mais do que uma disputa específica em torno da taxa das compras internacionais, o acordo envolvendo Lula, Motta e Alcolumbre pode representar parte de uma nova configuração política que terá sua continuidade diretamente influenciada pelo resultado das eleições de 2026.





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