FMI reforça apoio a Milei durante visita à Argentina em meio a desafios econômicos
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva iniciou nesta segunda-feira (27) uma visita oficial à Argentina, principal devedora da instituição, em um gesto de apoio ao programa econômico conduzido pelo presidente Javier Milei. A agenda inclui uma reunião com Milei, além de encontros com o ministro da Economia, Luis Caputo, o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, empresários e representantes do meio acadêmico.
A visita ocorre no contexto do Acordo de Facilidades Estendidas firmado entre a Argentina e o FMI em 2025, no valor de US$ 20 bilhões, com duração de quatro anos. O programa busca fortalecer a estabilidade macroeconômica e apoiar as reformas implementadas pelo governo argentino.
Na terça-feira (28), Georgieva deverá visitar Vaca Muerta, uma das maiores reservas de gás não convencional e de petróleo de xisto do mundo, considerada estratégica para ampliar a produção energética e impulsionar as exportações do país.
Ao anunciar a visita, Caputo destacou a relação de cooperação entre o governo e o FMI, classificando o diálogo como "excelente" e afirmando que o programa econômico em andamento tem apresentado resultados positivos. A diretora de Comunicação do FMI, Julie Kozack, afirmou que o momento é oportuno para avaliar os avanços do acordo.
Cenário econômico
A visita acontece em meio a um cenário de contrastes. Após mais de dois anos de forte ajuste fiscal, a inflação anual da Argentina caiu para 33,5% em junho, deixando para trás os índices de três dígitos registrados anteriormente. Em contrapartida, a atividade econômica segue praticamente estagnada, com crescimento de apenas 0,2% nos últimos 12 meses, enquanto o consumo das famílias permanece enfraquecido.
Apesar do desempenho modesto, o FMI projeta crescimento de 3,5% para a economia argentina em 2026 e de 4% em 2027.
Dados recentes do Banco Central argentino mostram ainda que a inadimplência das famílias junto ao sistema bancário triplicou em um ano, alcançando 12,8%, o maior nível em duas décadas. Diante desse cenário, partidos de esquerda convocaram manifestações para esta segunda-feira em protesto contra as políticas de austeridade.
Na véspera da visita de Georgieva, Milei apresentou detalhes de sua proposta de reforma da Carta Orgânica do Banco Central. O projeto prevê que a principal missão da instituição volte a ser a preservação do valor da moeda, medida que deverá ser analisada pelo Congresso argentino nas próximas semanas.
