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Tarifaço: ex-OMC vê "miopia" do Brasil e teme que eleição ofusque prejuízos

Publicada em: 16/07/2026 06:23 -

 

Ex-diretor da OMC vê choque de expectativas e alerta para riscos do tarifaço dos EUA ao Brasil

O novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos ao Brasil evidencia um desencontro de expectativas nas negociações comerciais entre os dois países. A avaliação é do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, que analisou o cenário em entrevista à CNN Brasil.

Segundo Azevêdo, os Estados Unidos esperavam que o Brasil adotasse uma postura semelhante à de outros parceiros comerciais, atribuindo maior valor estratégico ao acesso ao mercado norte-americano, mesmo sem receber contrapartidas significativas.

Na visão do ex-dirigente da OMC, a expectativa americana era de que o Brasil aceitasse fazer concessões unilaterais para evitar um agravamento das medidas tarifárias. Já o governo brasileiro, afirmou, conduziu as negociações dentro de um modelo tradicional de reciprocidade, esperando uma troca de concessões, com redução de tarifas e abertura de mercados por ambas as partes.

Azevêdo também apontou que fatores políticos contribuíram para aumentar a tensão nas negociações. Segundo ele, o discurso de defesa da soberania nacional ganhou espaço no debate público brasileiro, especialmente em um contexto eleitoral, o que pode ter reduzido o espaço para avanços nas conversações.

O especialista alertou que uma eventual perda de acesso ao mercado dos Estados Unidos teria impactos que vão além do volume total das exportações. De acordo com ele, os EUA são o principal destino de produtos brasileiros de maior valor agregado e conteúdo tecnológico, o que torna esse mercado estratégico para o desenvolvimento industrial e científico do país.

Além disso, Azevêdo defendeu que o Brasil mantenha uma política permanente de negociação de acordos comerciais, sem esperar que crises internacionais obriguem o país a buscar novos mercados.

Ao final, ele manifestou preocupação de que o debate político e eleitoral acabe ofuscando os possíveis impactos econômicos e industriais decorrentes do atual desgaste nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

 
 
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