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Flávio Bolsonaro culpa PF por descobrir desvio de R$ 119 milhões no PL e fala em "Lulinha"

Publicada em: 11/07/2026 08:20 -

Em um roteiro que já se tornou previsível, mas que a cada repetição flerta de forma mais aberta com o absurdo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recorreu à sua tática de distração predileta. Confrontado com o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do seu partido, o parlamentar ignorou a gravidade dos indícios levantados pela Polícia Federal e, em nota divulgada nesta sexta-feira (10), sacou do bolso o indefectível fantasma de “Lulinha”, o filho do atual presidente da República. Para o pré-candidato ao Planalto, o problema central não é o desvio milionário de emendas no coração da legenda que ele próprio integra, pelas mãos do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, mas sim uma alegada “perseguição seletiva” de uma PF que, segundo seu julgamento, estaria ocupada demais para investigar a esquerda. O malabarismo retórico beira o desalento: incapaz de explicar o cerco judicial ao seu grupo político, o clã Bolsonaro agora elege a própria corporação policial como inimiga da vez.

A culpa é sempre dos outros (e da PF) O desespero do senador tem explicação nas cifras. A investigação aponta que cerca de R$ 104 milhões em emendas sob suspeita já haviam sido efetivamente pagos sob o comando de Valdemar, que sequer possui mandato no Congresso. Mesmo diante do robusto material colhido pela PF, Flávio preferiu ir às redes sociais para atacar os investigadores. “A Polícia Federal, que diz não ter efetivo, nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente. Essa perseguição precisa parar”, disparou o senador, tentando transformar um caso de polícia em perseguição ideológica. Na mesma nota, ele ainda tentou normalizar o esquema, afirmando ser “natural” que o cacique de um partido atue politicamente junto a deputados. Os advogados de Valdemar seguiram a mesma cartilha, classificando o bloqueio de patrimônio como uma “indevida criminalização da atividade político-partidária”. O teto de vidro da “anticorrupção” O espetáculo discursivo de Flávio Bolsonaro tenta, a todo custo, blindar uma pré-candidatura construída sob a bandeira da “anticorrupção”, mas que se assemelha a uma vidraça estilhaçada por todos os lados, já que o clã político é há anos alvo de todo tipo de denúncia e investigação por casos de corrupção. O ataque desesperado à PF ocorre apenas três dias após outro golpe devastador no núcleo político do senador no Rio de Janeiro.

Na última terça-feira (7), a Polícia Federal deflagrou uma operação de busca e apreensão contra Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo. Canella é ninguém menos que o nome indicado por Flávio para concorrer ao Senado pelo Rio de Janeiro, em uma chapa cuja primeira-suplente seria a própria mãe de Flávio, Rogéria Nantes Braga Bolsonaro. O aliado é investigado por chefiar uma suposta organização criminosa que utilizava postos de combustíveis para lavagem de dinheiro com a conivência de agentes públicos. Saltando de escândalo em escândalo, de Belford Roxo ao topo do PL nacional, o discurso de Flávio parece ter esgotado o estoque de respostas plausíveis. Ao final, quando os fatos e os valores desviados se tornam incontornáveis, o senador prefere olhar para o lado, apontar o dedo e repetir o mantra de sempre, na esperança de que o eleitorado compre o delírio de que a culpa por suas crises familiares e partidárias é de “Lulinha”.
 

O texto apresentado é um artigo de opinião, não uma reportagem factual. Ele utiliza linguagem valorativa, faz inferências sobre intenções e apresenta acusações como elementos de uma narrativa crítica. Se a intenção for publicação jornalística como notícia, seria necessário reescrevê-lo em tom neutro, separando claramente fatos, alegações e opiniões, além de incluir o posicionamento de todos os citados.

Alguns exemplos da linguagem opinativa presente no texto:

  • "roteiro que já se tornou previsível";
  • "flerta de forma mais aberta com o absurdo";
  • "tática de distração predileta";
  • "malabarismo retórico beira o desalento";
  • "o clã Bolsonaro agora elege a própria corporação policial como inimiga";
  • "o espetáculo discursivo";
  • "pré-candidatura construída sob a bandeira da 'anticorrupção', mas que se assemelha a uma vidraça estilhaçada";
  • "ataque desesperado";
  • "saltando de escândalo em escândalo";
  • "esgotado o estoque de respostas plausíveis";
  • "na esperança de que o eleitorado compre o delírio".

Além disso, há afirmações que, para serem publicadas como fatos, exigiriam atribuição clara ou comprovação documental, como:

  • que Valdemar Costa Neto comandava R$ 104 milhões em emendas sob suspeita;
  • que Flávio Bolsonaro "ignora a gravidade dos indícios";
  • que o aliado Márcio Canella "chefiava" uma organização criminosa (o correto é informar que ele é investigado por suspeita de chefiar, caso ainda não haja condenação);
  • que o "clã político é há anos alvo de todo tipo de denúncia e investigação por casos de corrupção", o que merece contextualização para não generalizar investigações distintas.

Se seu objetivo é publicar uma coluna de opinião, o texto está estruturado dentro desse gênero, embora adote um tom bastante contundente e retórico. Se o objetivo é uma reportagem, ele precisaria ser substancialmente reescrito para manter imparcialidade, atribuir todas as alegações às respectivas fontes e apresentar o contraditório dos envolvidos.

 
 
 
 
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