O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adotar um discurso mais enfático de combate à corrupção como estratégia para reduzir a taxa de reprovação de seu governo. A informação foi divulgada pelo analista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, que aponta o tema como um dos principais desafios para a imagem do presidente.
A estratégia do Palácio do Planalto será reforçar a narrativa de que a Polícia Federal atua com autonomia durante as gestões petistas e que investigações não são interrompidas por atingirem aliados do governo. Em futuros discursos, Lula deverá citar operações envolvendo figuras próximas, como o senador Jaques Wagner, além de mencionar investigações que alcançaram seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
No entanto, segundo Uribe, o caso de Lulinha representa um desafio para essa estratégia. Isso porque a Polícia Federal retirou da unidade responsável pelas investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a condução do inquérito que havia determinado a quebra do sigilo de Fábio Luiz. A apuração passou a ser conduzida pela Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq).
A mudança foi explorada pela oposição, que questionou se a transferência poderia comprometer a independência das investigações. Parlamentares, entre eles o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, solicitaram explicações ao diretor-geral da Polícia Federal e compararam a situação às críticas dirigidas ao ex-presidente Jair Bolsonaro quando ocorreram mudanças na estrutura da corporação durante seu governo.
Ainda de acordo com a análise da CNN Brasil, Lula também foi orientado por aliados a estabelecer um contraste entre sua gestão e a de Bolsonaro, destacando as sucessivas mudanças promovidas na cúpula da Polícia Federal durante o governo anterior.
Nos bastidores do governo, a avaliação é de que a corrupção continua sendo um dos principais fatores que limitam a recuperação da popularidade do presidente. Por isso, assessores defendem que enfrentar o tema diretamente, enfatizando a autonomia dos órgãos de investigação e a responsabilização individual de envolvidos em irregularidades, é uma estratégia mais eficaz do que evitar o assunto.
