Flávio Bolsonaro sobre os impactos políticos da operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner.
Principais pontos
- Flávio afirmou acreditar que poderá recuperar votos que, segundo ele, teriam sido perdidos em meio às repercussões de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
- O senador declarou que o caso envolvendo o Banco Master estaria mais ligado ao PT do que à oposição e voltou a defender investigações sobre o tema.
- Flávio sustentou que sua relação com Vorcaro envolveu apenas investimentos privados.
- Ele afirmou considerar mais grave a investigação envolvendo Jaques Wagner do que as revelações relacionadas ao financiamento da cinebiografia.
- Também citou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva em apurações relacionadas a fraudes no INSS. O texto ressalta que Lulinha nega irregularidades, não foi indiciado e não é investigado formalmente.
- Jaques Wagner foi alvo de buscas na nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes ligadas ao Banco Master. A Polícia Federal apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas, o que é negado pelo senador.
- Em nota, Wagner afirmou acompanhar as investigações com tranquilidade e destacou que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado formalmente no caso.
Contexto
A reportagem destaca que as declarações ocorrem em um momento de disputa política e repercussão das investigações envolvendo figuras ligadas tanto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto à oposição. O texto também registra que os fatos citados por Flávio ainda estão sob investigação e que os envolvidos negam irregularidades quando mencionados.
BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em entrevista ao SBT News nesta sexta-feira, 19, que crê na reconquista de votos perdidos após a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), num momento em que pesquisas eleitorais têm mostrado maior vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno da eleição.
Na ocasião, o pré-candidato à presidência da República pelo PL comentou sobre também estar envolvido no escândalo do Banco Master, com a revelação de um áudio pelo The Intercept Brasil em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, para bancar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”. “Se a lógica serve para justificar uma suposta queda minha nas pesquisas, por causa de uma relação privada, o que dirá então? Esses votos todos voltarão para mim agora, uma vez que está se comprovando que há corrupção por parte da relação de amigos do Lula junto ao Vorcaro”, declarou.
Flávio Bolsonaro comentou a operação da Polícia Federal contra o senador e líder do governo no Senado Jaques Wagner Foto: Tiago Queiroz/Estadão Flávio Bolsonaro comentou a operação da Polícia Federal contra o senador e líder do governo no Senado Jaques Wagner Foto: Tiago Queiroz/Estadão Flávio disse que sempre defendeu a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master e afirmou que o escândalo sobre Vorcaro “é do PT”. Porém, como mostrou o Estadão, o senador não apoiou todos os pedidos de investigação parlamentar sobre o caso.
O senador reiterou a alegação que fez outras vezes sobre a sua relação com o banqueiro ter tratado exclusivamente de investimentos privados. O parlamentar disse também que vê maior gravidade no caso de Jaques Wagner em comparação às revelações sobre o filme. Além disso, Flávio mencionou as suspeitas sobre o filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, no escândalo das fraudes sobre os benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “O dinheiro do aposentado pode estar na conta do Lulinha, lá na Europa”, declarou. A defesa de Lulinha nega envolvimento em ilegalidades, e ele não foi indiciado nem é formalmente investigado. Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes ligadas ao banco Master. A PF suspeita que o senador tenha recebido um imóvel e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.
Na quinta-feira, 18, a assessoria de Jaques Wagner divulgou uma nota em que diz que o parlamentar “acompanha com tranquilidade” o andamento das investigações e “mantém a confiança na condução delas”. Ele nega irregularidades e diz que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”.
