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Brasil tem pior retorno à população entre países com maior carga tributária

Publicada em: 16/06/2026 08:05 -

A conclusão do estudo do IBPT chama atenção porque sugere que o problema brasileiro não está apenas em quanto se arrecada, mas em como os recursos são transformados em resultados para a população.

Alguns pontos importantes para contextualizar os dados:

  • O Brasil possui uma carga tributária de cerca de 32% do PIB, nível semelhante ao de vários países desenvolvidos.
  • No entanto, indicadores de qualidade de vida, educação, saúde, segurança e infraestrutura permanecem abaixo dos padrões observados em muitos países com tributação equivalente.
  • O IRBES combina carga tributária (15%) e IDH (85%), buscando medir a eficiência da conversão dos impostos em bem-estar social.
  • Segundo o levantamento, o Brasil ocupa a última posição entre os 30 países com maior carga tributária pelo 15º ano consecutivo.

Há, porém, algumas ressalvas metodológicas:

  1. O IRBES é um índice privado, elaborado pelo IBPT, e não um indicador oficial de organismos internacionais.
  2. O IDH não mede diretamente a qualidade dos serviços públicos, mas sim resultados em renda, educação e expectativa de vida.
  3. Países com históricos econômicos e sociais muito diferentes podem apresentar desempenhos distintos mesmo com cargas tributárias semelhantes.

Ainda assim, o estudo reforça um debate recorrente entre economistas e gestores públicos: a eficiência do gasto público. Entre os fatores frequentemente apontados para o baixo retorno social dos impostos estão:

  • Elevado custo da máquina pública;
  • Desperdícios e ineficiências administrativas;
  • Corrupção e má gestão em alguns níveis de governo;
  • Complexidade do sistema tributário;
  • Desigualdades regionais profundas;
  • Baixa qualidade de parte dos investimentos públicos.

Por outro lado, especialistas também observam que o Brasil enfrenta desafios estruturais que não desaparecem apenas com maior eficiência administrativa, como desigualdade social histórica, dimensões continentais do território e demandas elevadas por serviços públicos.

 

Em resumo, o estudo não afirma que o Brasil arrecada pouco; ele sustenta justamente o contrário: o país arrecada muito em comparação com seu nível de desenvolvimento humano. A principal crítica do IBPT é que o retorno desses recursos para a população continua abaixo do observado em outros países com carga tributária semelhante.

O Brasil continua sendo o país que menos transforma arrecadação de impostos em qualidade de vida entre as 30 nações com maior carga tributária do mundo. É o que mostra a 15ª edição do IRBES (Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade), elaborada pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) Segundo o levantamento, que considera dados de carga tributária e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) referentes a 2024, o Brasil ocupa a última posição do ranking pelo 15º ano consecutivo.

 O estudo avalia a relação entre o volume de tributos arrecadados e o retorno desses recursos à população por meio de serviços públicos e qualidade de vida. Para isso, o índice atribui peso de 15% à carga tributária e de 85% ao IDH. A carga tributária brasileira correspondeu a 32,32% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2024, percentual semelhante ao de países desenvolvidos. No entanto, o IDH de 0,760, resultou em um IRBES de 142,46 pontos, o menor entre os países analisados. Na avaliação do IBPT, o desempenho brasileiro indica que os recursos arrecadados continuam sendo aplicados de forma ineficiente. "Apesar de termos uma carga tributária alta, digna de países desenvolvidos, como Reino Unido, França e Alemanha, o IDH nacional reflete um desenvolvimento humano muito precário", afirma o estudo. A Irlanda lidera o ranking pelo sétimo ano consecutivo, com um IRBES de 170,37 pontos. O país é seguido por Suíça, Coreia do Sul - que apresentou uma melhora no resultado em comparação com a edição anterior -, Estados Unidos e Autrália. Entre os países sul-americanos presentes na lista, o Uruguai aparece na oitava posição, e a Argentina ocupa o 13º lugar.

 De acordo com o IBPT, o resultado reforça a necessidade de ampliar a eficiência dos gastos públicos e a transparência na aplicação dos recursos arrecadados. "Certamente, se existisse uma melhor aplicação das receitas públicas oriundas dos tributos, isso se refletiria em um bem-estar social muito mais elevado", conclui o instituto.

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