Assim como muitos torcedores do Corinthians, estive nas trincheiras por Yuri Alberto por muito tempo. Fui criada em uma cultura de arquibancada que sempre valorizou o esforço e a vontade acima de questões técnicas e sempre enxerguei muito dessa premissa no voluntarioso camisa 9 do atual elenco. Mesmo em suas piores fases, “displicência” parecia não fazer parte do seu vocabulário e ele, entre erros dentro do jogo, demonstrava raça para tentar compensá-los.
Mais uma vez, como tantos corinthianos, eu me reservava o direito de criticar o atacante. Ainda assim, entendia que muito do que se dizia sobre Yuri Alberto não condizia com a realidade; algumas falas se travestiam de “senso comum” para atacar pessoalmente um jovem que, como qualquer outro, atravessa momentos difíceis.
Esse Yuri que eu costumava defender, porém, não parece mais estar em campo. Na partida entre Corinthians e Vasco, pela grande final da Copa do Brasil, um atacante irritadiço, displicente, letárgico e perdido apareceu entre os titulares da equipe de Dorival Júnior. Aquele ali definitivamente não se parecia com o Yuri Alberto que a torcida aprendeu a amar — não pelos erros técnicos, mas pela postura.
Ao fim do jogo, as câmeras flagraram o jogador, após uma discussão acalorada com Matheuzinho, dizendo: “tô de saco cheio”. A frase foi clara como a luz do dia, assim como as bolas perdidas no ataque que deram origem a algumas das melhores chances do Vasco. O confronto, que começou ainda com a bola rolando, surgiu após uma cobrança do lateral por uma jogada errada de Yuri Alberto. O atacante, que não havia reagido de forma ríspida nem quando foi chamado de “burro” por Mano Menezes, partiu para cima do próprio companheiro.
Ninguém tem sangue de barata — como disse Dorival Jr. em entrevista coletiva —, mas a reação de Yuri Alberto chamou a atenção. Assim como sua aparente apatia em campo, perceptível já há algum tempo. A frase “eu já tô de saco cheio”, em qualquer contexto, transmite ao torcedor uma sensação de falta de comprometimento. E quem pode culpar quem interpreta a situação dessa forma? Como censurar o torcedor que questiona a entrega do camisa 9 em um momento decisivo para o time?
Com os rumores de propostas vindas da Europa, o ciclo de Yuri Alberto pode, sim, estar chegando ao fim. Em meio a tantas turbulências, é natural que o jovem considere esse caminho. Sua reação diante de um possível encerramento de ciclo, porém, precisa ser mais positiva em prol do coletivo. Afinal, não é todo dia que se disputa uma final de Copa do Brasil como a que o atacante ainda está prestes a jogar.
Diante do Vasco, no jogo de ida da finalíssima, a postura do atacante — mais do que seus erros técnicos — prejudicou o desempenho da equipe. Dorival Jr., por convicção própria, optou por mantê-lo em campo durante os 90 minutos, mesmo sem retorno prático em atitude ou rendimento. Agora, cabe ao treinador tomar uma decisão.
Mais do que a questão técnica, o comportamento de Yuri Alberto parece começar a comprometer seu desempenho. Dorival Jr. precisa pensar em salvar o ano alvinegro com o título da Copa do Brasil — e também o próprio emprego. Um jogador de “saco cheio”, seja das críticas, da pressão, da má fase ou dos companheiros, não pode disputar uma final de campeonato.
As decisões em torno de Yuri Alberto, artilheiro do Corinthians na temporada, podem impactar tanto o futuro da equipe quanto o do próprio atleta. É preciso refletir sobre o que é melhor para o time e, só depois, se apegar a convicções individuais. O Corinthians precisa ser a prioridade para todos os envolvidos.
