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REGIÃO SUL 3º FLORIANÓPOLIS

Publicada em: 12/10/2025 13:28 -

Florianópolis, conhecido coloquialmente como Floripa, é um município brasileirocapital do estado de Santa CatarinaRegião Sul do país. O município é composto pela ilha principal, a ilha de Santa Catarina, a parte continental e algumas pequenas ilhas circundantes. Florianópolis é também apelidado de "Ilha da Magia", decorrente de seus folclóricos contos e histórias de bruxas e criaturas mágicas que habitam na ilha, popularizados pelo escritor Franklin Cascaes.[10]

A cidade tem uma população de 537 211 habitantes, de acordo com o censo demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o segundo município mais populoso do estado, após Joinville, o 5º mais populoso da região Sul, após CuritibaPorto AlegreJoinville e Londrina, e o 39º mais populoso do Brasil. A região metropolitana tem uma população estimada de 1 209 818 habitantes, a 21ª maior do país. Florianópolis conta com uma área de 674,844 km², a posicionando em 29º lugar em municípios por extensão territorial em Santa Catarina.[11]

A ilha de Santa Catarina possui uma rica história que remonta aos tempos pré-coloniais, com vestígios arqueológicos indicando ocupação pelo Homem de Sambaqui desde aproximadamente 4800 a.C. Povos carijós, grupos indígenas locais, já praticavam agricultura e subsistiam da pesca e coleta de moluscos quando os primeiros europeus chegaram, no século XVI. A colonização efetiva começou com Francisco Dias Velho em 1673, seguida por uma ocupação militar a partir de 1737 e a imigração açoriana no século XVIII, que impulsionou a agricultura e a indústria local. A ilha se desenvolveu significativamente ao longo dos séculos, tornando-se capital de Santa Catarina em 1823 e passando por urbanização intensa no século XX, com expansão econômica e grande aumento populacional.[12][13][14]

A economia de Florianópolis é fortemente baseada na tecnologia da informação, no turismo e nos serviços.[15] A cidade tem mais de 100 praias registradas e é um centro de atividade de navegação. O jornal estadunidense The New York Times afirmou em 2009 que "Florianópolis era o destino do ano".[16] A Newsweek considerou que o município é uma das "dez cidades mais dinâmicas do mundo" em 2006.[17] O Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) de 2014, elaborado pela filial brasileira da ONG norte-americana Endeavor, elegeu a cidade como o melhor ambiente para o empreendedorismo no país.[18] A cidade também foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das "cidades criativas" do Brasil em 2014, ao lado de Curitiba.[19] Florianópolis é conhecida por ter uma elevada qualidade de vida; em 2010, era a capital brasileira com maior pontuação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pelo PNUD, das Nações Unidas.[8] Por outro lado, aparece como a décima mais desenvolvida, de acordo com o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (2025).[20] Segundo o Atlas da Violência 2024, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), é a capital mais segura do Brasil.[21]

Nome

A origem do nome da ilha de Santa Catarina ainda é debatida. A versão mais aceita é que foi assim nomeada pelo navegador italiano Sebastião Caboto em 1526, seja em homenagem a Santa Catarina de Alexandria ou a sua esposa, Catarina Medrano. Outras fontes mencionam que o nome foi dado pelo bandeirante paulista Francisco Dias Velho em homenagem a uma filha, de nome Catarina.[22][23][24]

Dias Velho fundou, em 1673, a povoação de Nossa Senhora do Desterro, em homenagem a sua santa de devoção, elevado à categoria de vila em 1726. Com a independência do Brasil a vila elevou-se a cidade, quando se decidiu fortalecer o nome correto, mas agora passando apenas a se chamar "Desterro". Apesar de ser uma referência a fuga da sagrada família para o Egito, esse nome desagradava certos moradores, uma vez que lembrava "desterrado", ou seja, alguém que está no exílio ou que era preso e mandado para um lugar desabitado. Esta falta de gosto pelo nome fez com que algumas votações acontecessem para uma possível mudança. Uma das sugestões foi a de "Ondina", nome de uma deusa da mitologia que protege os mares.[25]

Com o fim da Revolução Federalista, em 1894, em homenagem ao então presidente da República Floriano Peixoto, o governador do estado, Hercílio Luz, mudou o nome para Florianópolis. A escolha do nome foi, contudo, uma afronta à própria população desterrense, pois Floriano Peixoto não era uma autoridade com popularidade na cidade e enfrentou grande resistência de seu governo em Desterro. Como a cidade era um dos principais pontos que se opunham ao presidente, este mandou um exército para a cidade para que fosse derrubada esta resistência.[25] O nome foi dado logo após o Massacre da Ilha de Anhatomirim ou "Tragédia de Desterro" ocorrida na fortaleza militar da ilha de Anhatomirim, ao norte da ilha de Santa Catarina, ocasião em que foram fuziladas cerca de 185 pessoas, dentre as quais oficiais do exército, juízes, desembargadores e engenheiros, três dos quais eram franceses.[26] Ainda hoje há movimentos que pedem uma nova mudança do nome devido à controvérsia.[27]

História

Civilizações pré-cabralinas

Peça arqueológica em exposição no Museu do Homem do Sambaqui

Os primeiros humanos habitaram a ilha de Santa Catarina por volta de 4 800 a.C., conforme vestígios arqueológicos, pertencentes à cultura do homem do sambaqui, que nela habitou por milênios.[13]

Por volta do ano 1000, os povos indígenas tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos do tronco linguístico tupi provenientes da Amazônia.[12]

No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, a mesma era habitada por um desses povos do tronco tupi, os carijós, que praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. A ilha de Santa Catarina era chamada por esse povo indígena de Meiembipe ("montanha ao longo do mar") e o estreito que a separa do continente, Y-Jurerê-Mirim ("pequena boca d'água"), termo que também se estendia à própria ilha.[28] Os carijós viriam a ser escravizados pelos oriundos da Capitania de São Vicente.[12]

Séculos XVI e XVII

Quartel da tropa na Fortaleza de São José da Ponta Grossa

No século XVI, as embarcações que demandavam à Bacia do Prata usavam da Ilha de Santa Catarina como ponto de abastecimento de água e víveres. No entanto, o povoamento só se iniciou na segunda metade do século XVII, com a chegada dos paulistas à região.[13][29]

Em 17 de fevereiro de 1673, logo após se estabelecer na Ilha de Santa Catarina com sua família, criados e 500 indígenas escravizados, o bandeirante vicentino Francisco Dias Velho fundou a povoação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis).[30][31][32] Em 1678, Dias Velho ergueu uma capela em louvor a Nossa Senhora do Desterro, elevada à categoria de Paróquia por meio de Alvará Régio de 5 de março de 1713.[30][33] Em 1687, a povoação foi atacada por piratas, que mataram o fundador, e quase todos os seus habitantes desertaram.[29][32]

Nessa época, ocorreram naufrágios de embarcações que depois foram estudadas e deram origem a dois projetos de arqueologia subaquática em Florianópolis, um no norte e outro no sul da ilha. Diversos artefatos e partes das embarcações foram recuperados pelos pesquisadores responsáveis por essas iniciativas, financiadas principalmente pela iniciativa privada.[34]

Século XVIII

Fortaleza de São José da Ponta Grossa, em Jurerê

Por meio de Carta Régia de 23 de março de 1726, a povoação de Nossa Senhora do Desterro foi elevada à categoria de vila, se desmembrando de Laguna, sendo instalada em 10 de abril de 1728.[13][30]

Em 1737, devido à sua posição estratégica para os domínios portugueses no sul do Brasil, iniciou-se uma ocupação militar da vila de Nossa Senhora do Desterro, liderada pelo brigadeiro José da Silva Pais, nomeado, em 1739, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina.[13][29][35]

Em meados do século XVIII, milhares de imigrantes açorianos migraram para a ilha de Santa Catarina. Nessa época, as indústrias de algodão, linho e de mandioca floresceram na ilha e foram implantadas as "armações" para pesca da baleia para extração do óleo em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis). Começaram a chegar, nesse período, africanos escravizados, os quais exerciam ofícios como aguadeiros, amas de leite, lavradores e trabalhadores dos engenhos de mandioca.[29][30][36]

Em 1777, no contexto da Guerra Hispano-Portuguesa, os espanhóis, liderados por Pedro de Cevallos, invadiram a ilha de Santa Catarina, que voltou ao domínio português no ano seguinte, pelo Tratado de Santo Ildefonso.[29]

Século XIX

Quadro de Victor Meirelles mostrando a cidade em 1847

Por meio de Carta Imperial de 20 de março de 1823, a vila de Nossa Senhora do Desterro foi elevada à categoria de cidade, recebendo a denominação "Desterro". Nesse mesmo ano, a cidade se tornou capital da Província de Santa Catarina, inaugurando um período de prosperidade, com o investimento de recursos imperiais, com obras urbanas como a projeção a melhoria do porto e a construção de edifícios públicos. A modernização política e cultural e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção da vista do imperador D. Pedro II à capital catarinense, em 1845.[13][29][30]

Vista de Florianópolis no final do século XIX

Desterro viveu dias de grande agitação durante a Guerra do Paraguai, para a qual alistaram-se muitos desterrenses, que formaram o 25º Batalhão dos Gloriosos Voluntários da Pátria.[29]

Em 1893, chegou a Desterro, com o apoio da população local, a Revolução Federalista, contra o governo do presidente da República Floriano Peixoto, liderada na cidade por Elesbão Pinto da Luz. A revolta foi reprimida e seus participantes, fuzilados, junto com civis, por ordem do presidente brasileiro na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim em abril de 1894, no episódio conhecido como chacina do Anhatomirim. Devido à vitória das forças federais, em 1º de outubro de 1894, o então governador de Santa CatarinaHercílio Luz, sancionou a Lei Estadual nº 111, que alterou o nome de Desterro para Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto.[13][26][30][37][38] Em 1898, foi fundado um importante colégio pela Congregação das Irmãs da Divina Providência, o Colégio Coração de Jesus.[39]

Século XX

Ponte Hercílio Luz em 1940

A cidade, ao entrar no século XX, passou por profundas transformações, tendo como um dos principais suportes econômicos a construção civil. A implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água e captação de esgotos, somaram-se à construção da Ponte Hercílio Luz (década de 1920), como marcos do processo de desenvolvimento urbano.[14][30]

Em 1º de janeiro de 1944, o interventor Nereu Ramos transferiu de São José para Florianópolis o distrito de Estreito (atual parte continental da capital catarinense), devido a fatores como a localização e o abandono da região pela prefeitura josefense.[40][41]

Florianópolis em 1964

Na segunda metade do século XX, Florianópolis teve um grande desenvolvimento urbano e recebeu novos moradores. A sede da Eletrosul foi transferida do Rio de Janeiro para o bairro florianopolitano do Pantanal,[42] e criou-se um campus da Universidade Federal de Santa Catarina no bairro Trindade.[43] Na década de 1950, foi construído o primeiro terminal de passageiros do Aeroporto Hercílio Luz,[44] e foi inaugurado o trecho Curitiba-Florianópolis da BR-101.[45] Em 1975, foi concluída a construção da ponte Colombo Salles,[46] e, em 1991, foi inaugurada a ponte Pedro Ivo Campos.[47]

No início do século XXI, a cidade passou a ter uma das piores taxas de mobilidade urbana do Brasil, e a pior entre as capitais estaduais.[48][49]

Geografia

Ilha de Santa Catarina e regiões adjacentes

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE,[50] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Florianópolis.[51] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Florianópolis, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Grande Florianópolis.[52]

Florianópolis é uma das três capitais do Brasil situadas em ilhas (as outras duas são Vitória e São Luís). Localiza-se no leste do estado de Santa Catarina e é banhada pelo Oceano Atlântico. Grande parte de seu território (97,23%) está situado na ilha de Santa Catarina, que está situada de forma paralela ao continente, separada dele por um estreito canal, e possui uma forma alongada e estreita, com comprimento médio de 55 km e largura média de 18 km. Com litoral bastante recortado, possui várias enseadas, pontas, ilhas, baías e lagoas. A área total do município, compreendendo a parte continental e a insular, é de 675,41 km². Seu relevo é formado por cristas montanhosas e descontínuas, servindo como divisor de águas da ilha. O ponto mais alto da ilha é o morro do Ribeirão, com 532 metros de altitude. Paralelamente às montanhas, surgem esparsas planícies em direção leste e na porção noroeste da ilha. Na face leste da ilha, há presença de dunas formadas pela ação do vento.

Na ilha de Santa Catarina existe uma grande laguna de água salgada, a Lagoa da Conceição, e uma grande lagoa de água doce, a Lagoa do Peri. Dois grandes aquíferos subterrâneos contribuem em parte para abastecimento público de água do município: o Aquífero Campeche, ao sul, e o Aquífero Ingleses, ao norte.[53] Já, os rios, em geral riachos pequenos, não recebem muita atenção: no Centro o rio da Bulha foi canalizado, enquanto que recentemente a poluição no rio do Brás e no rio Papaquara, no norte da ilha, só chamou a atenção por ter tirado a balneabilidade da praia de Canasvieiras.[54][55] Os outros mananciais importantes são as bacias do RatonesSaco GrandeItacorubi e Rio Tavares. Todas essas têm um manguezal em sua foz, sendo o Manguezal do Itacorubi o 2º maior em área urbana do Brasil.[56]

Considerava-se que Florianópolis tinha 42 praias, sendo este durante décadas um dos slogans do município e ainda muito citado. Por encomenda do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), realizou-se, pela primeira vez, um levantamento completo sobre as praias da capital catarinense, no qual foram mapeadas mais de 100 praias. Como o objetivo do trabalho era toponímico, para cumprir a lei municipal que determinava a sinalização de todas as praias, ficaram de fora mais de uma dezena que, de tão desconhecidas, nem possuíam denominação. Os testes de balneabilidade mostram que muitas estão impróprias para banho, principalmente no continente, mas também em praias conhecidas da ilha.[57]

 

Panorâmica completa da extensão do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, que faz parte do Aquífero Campeche.

 

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