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REGIÃO SUL 2º CAPITAL PORTO ALEGRE- RS

Publicada em: 12/10/2025 13:23 -

Curitiba é um município brasileirocapital do estado do Paraná, localizado a 934 metros de altitude no Primeiro Planalto Paranaense,[9] a mais de 110 quilômetros do Oceano Atlântico,[13] distante 1 386 km a sul de Brasília, capital federal. Com 1 773 718 habitantes,[14] é o município mais populoso do Paraná e da região Sul, além de ser o oitavo do país, segundo censo demográfico realizado pelo IBGE para 2022.

Elevada à condição de vila em 1693, a partir de um pequeno povoado bandeirante, Curitiba tornou-se uma importante parada comercial com a abertura da estrada tropeira entre Sorocaba e Viamão,[15] vindo, em 1853, a ser a capital da recém-emancipada Província do Paraná. Desde então, a cidade, conhecida pelas suas ruas largas,[16] manteve um ritmo de crescimento urbano fortalecido pela chegada de diversos imigrantes europeus ao longo do século XIX, na maioria, alemãespolonesesucranianos e italianos,[17] que contribuíram para a atual diversidade cultural. Atualmente Curitiba é considerada a capital mais desenvolvida do Brasil, tendo um baixo índice de desemprego e um parque industrial diversificado.[18]

Curitiba experimentou diversos planos urbanísticos[19] e legislações que visavam controlar seu crescimento, que a levaram a ficar famosa internacionalmente pelas suas inovações urbanísticas e cuidado com o meio ambiente.[19][20] A maior delas foi no transporte público,[21][22][23] cujo sistema inspirou o TransMilenio, implantado em Bogotá, na Colômbia.

Considerada uma cidade global pela Globalization and World Cities Research Network (GaWC), na categoria "Suficiência" (a menor de todas),[24] foi eleita pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das "cidades criativas" do Brasil em 2014, ao lado de Florianópolis.[25] Curitiba é a capital mais desenvolvida do país, de acordo com o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (2025),[26] conta com a segunda melhor taxa de alfabetização e saneamento básico entre as capitais, atrás de São Paulo,[27][28] e, segundo o Atlas da Violência 2024, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), é a oitava capital mais segura do Brasil.[29] Com um PIB de mais de 98 bilhões de reais, é a sexta cidade mais rica da nação. Curitiba foi classificada pelo Índice Verde de Cidades de 2015, realizado pela Siemens com a Economist Intelligence Unit, como a mais ambientalmente sustentável da América Latina.[30]

Etimologia

Para Eduardo Navarro, Curitiba vem de *kuri, pinheiro, e tyba, ajuntamento. Ambos os termos estão em relação genitiva, o que dá a ideia de origem, pertencimento, posse, e enseja a inversão dos termos (conforme indicam as setas) e o acréscimo da preposição "de". Ajuntamento de pinheiros é a tradução ao pé da letra, sendo mais natural traduzir pelo substantivo coletivo pinhal, ou pinheiral.

etimologia do topônimo "Curitiba" é complicada e sofre mudanças segundo vários autores. Conforme Antenor Nascentes, é vocábulo de procedência língua tupi “Ku’ri”, que significa “pinheiro” + “tuba”, um sufixo coletivo que tem como significado “pinho, pinhal”. Ex-“Curituba”, na grafia oficial com “o” na primeira sílaba, permanecendo a ortografia “Corituba”, que ocorre como “curé”, significando “pinhão” + “tyba”, que significa “muito” ou “coré” + “tyba”, cujo significado ao todo é “pinheirame”. Os dicionários de Antônio Gonçalves Dias, Orlando Bordoni, Luís Caldas TibiriçáSilveira Bueno e Teodoro Sampaio mostram uma versão praticamente igual, com algumas modificações: “curi-tyba” que significa “muitos pinheiros, pinheiral”.[3]

pesquisador Mário Arnaud Sampaio ensina que a palavra procede da língua guarani pura, “Kuri’yty”, corruptela de “Kuri’yndy” significando “pinheiral”. O presidente do estado do ParanáAfonso Alves de Camargo estabeleceu oficialmente a atual ortografia, Curitiba, por intermédio de Decreto-Lei, promulgado em 1919, pois, até então o topônimo da cidade era grafado de ambas as formas: “Curityba” e “Corityba”, étimos diferenciados.[3] A denominação dos habitantes naturais do município é curitibanostopônimo de uma cidade homônima localizada no estado vizinho de Santa Catarina, fundada por moradores de Curitiba.[31]

Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo, afirma provir o termo Curitiba da língua geral paulista, desenvolvimento histórico do tupi antigo. O asterisco em *kuri, na imagem, indica que o termo está presente na toponímia do Brasil, mas que não há registro dela em textos históricos.[32]

Curitiba reúne determinados apelidos no decorrer de seu passado, sendo um dos mais famosos o de Cidade Sorriso. Conforme o que se diz, essa alcunha surgiu num documento ufanista como tentativa de reversão da famosa antipatia sofrida pelo povo da cidade.[33] Outro título dado ao município foi o de Capital Ecológica, em função das políticas dirigidas para a sustentabilidade.[33]

História

Período pré-cabralino e povos indígenas

Os primeiros habitantes do Planalto de Curitiba eram paleoíndios nômades que chegaram ali há cerca de 15 mil anos. Há sítios arqueológicos em São José dos Pinhais com presença humana datada de 13 mil anos. Nessa época, a região era mais fria e seca do que é hoje.[34][35]

Por volta de quatro mil anos atrás, os proto-jê, ceramistas e agricultores, chegaram ao Paraná e se miscigenaram com os indígenas que já habitavam a região, sendo estes os ancestrais de povos como os caingangues e xoclengues. Há cerca de dois mil anos, os tupis-guaranis, também agricultores e ceramistas, chegaram ao território curitibano.[34][35]

Na época da chegada dos primeiros europeus ao Paraná, o norte de Curitiba era habitado por ameríndios falantes de línguas jês, como os caingangues e xoclengues, enquanto o sul era habitado pelos guaranis mbiás e nhandevas.[35]

Período colonial

Os primórdios do atual município de Curitiba remontam ao século XVII, quando o caminho de Queretiba foi percorrido pelos bandeirantes, que chegavam à procura de ouro fora da Serra do Mar, por intermédio de Paranaguá.[36][37] Eleodoro Ébanos Pereira liderou a primeira expedição oficial que coordenou os serviços de extração de minas de ouro nos Distritos do Sul (inclusive Curitiba), em 1649. Os primeiros nomes que surgem na história de Curitiba, após Ébano Pereira, são os de Baltasar Carrasco dos Reis e Mateus Martins Leme. Entretanto, conforme o historiador Romário Martins:[34][3][4]

…não foi esse o primeiro grupo povoador do planalto curitibano. Antes dele houve os que fundaram arraiais de mineradores quase estáveis na região aurífera atravessada pelos caminhos de Açungui e do Arraial Queimado (Bocaiuva do Sul), a seguir Borda do Campo (Atuba) e Arraial Grande (São José dos Pinhais).[4]
 
— Romário Martins.
Centro Cultural Vilinha e escultura do Cacique Tindiquera, que teria demarcado o marco zero de Curitiba, no vizinho município de Pinhais.

Após superar a aventura de cruzar a serra, atraídos pelo ouro, os primeiros povoadores bandeirantes se estabeleciam na povoação chamada Vilinha, em conformidade com registros deixados por historiadores. Segundo os registros históricos e o relato do ouvidor Raphael Pires Pardinho, em 1661, surgiu, ao redor de uma pequena capela de pau-a-pique erguida em louvor a Nossa Senhora da Luz (localizada na atual Catedral Metropolitana de Curitiba), a povoação de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na qual, em 1668, Gabriel de Lara, cognominado “O povoador”, ergueu um pelourinho, acompanhado de 17 colonos, episódio este considerado, por muitos, como o marco inicial de Curitiba.[3][36][37][4][38][39] No entanto, Gabriel de Lara não é descrito como o criador da vila da Curitiba, sendo que o episódio é atribuído a Eleodoro Ébano Pereira por determinados historiadores.[3][4]

Existe uma lenda sobre a fundação da povoação de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, narrada por vários historiadores, com a qual estão relacionados os grupos de primeiros colonizadores, constituídos pelas famílias Seixas, Soares e Andrade. Esses bandeirantes teriam chamado o cacique dos Campos de Tindiquera, às barrancas do rio Iguaçu, para indicar o lugar mais adequado para a implantação decisiva do povoado. O cacique, na frente de um grupo de habitantes, levou na mão uma enorme vara e, depois de suas longas andanças, palmilhando enorme superfície de campos, fixou essa vara no solo e um local e disse “Aqui”, e neste local construiu-se uma pequena capela, erguida de pau-a-pique, sendo sucedida por outra, de pedra e barro, a qual atendeu a comunidade entre 1714 e 1866, quando foi construída a Catedral Metropolitana.[3][4]

Na época de sua criação, além da mineração, a economia de Curitiba era baseada na agricultura de subsistência e pecuária. Com o fim do ciclo do ouro na região, no final do século XVII, muitos mineradores se dirigiram para as novas jazidas em Minas Gerais.[15][40][41]

Com o crescimento da povoação, os seus habitantes demandavam a sua elevação à categoria de vila. Em 29 de março de 1693, o capitão-povoador Mateus Martins Leme criou a vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, promoveu a primeira eleição dos vereadores e a instalação da Câmara Municipal. Naquela época, em conformidade com Romário Martins, além de Mateus Leme e Carrasco dos Reis, moradores do Barigui, na época povoavam a vila:[15][4][42]

…o capitão Antonio Rodrigues Seixas, escrivão da vila em 1693, em Campo Magro; Manuel Soares e Aleixo Mendes Cabral, no Passaúna, João Rodrigues Cid, no Cajuru, Antônio Rodrigues Cid em Uberaba, etc.
 
— Romário Martins.

Entre 1720 e 1721, veio à vila, com o objetivo de disciplinar a administração local, o ouvidor Raphael Pires Pardinho, sob cujas ordens o nome da vila foi alterado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais para Curitiba e estabeleceu-se normas que se preocupavam com o meio ambiente, como a necessidade de autorização para o corte de árvores nas margens dos rios e riachos.[34]

Após o declínio da mineração de ouro na região de Curitiba, paulatinamente o tropeirismo foi se tornando uma importante fonte de renda para os locais, haja vista que a vila estava localizada no caminho do gado, construído em 1730, do Rio Grande do Sul até Minas Gerais, para comercializar bovinos e muares. Os campos curitibanos eram áreas de criação e reprodução de gado e de invernada.

Com a abertura de uma nova estrada, a qual não atravessava mais seus campos, a vila, durante certa época, permaneceu isolada.[15][40][41]

Período imperial

Panorama de Curitiba, em gravura de Jean-Baptiste Debret, 1827.

Em 1812, Curitiba foi elevada à sede da recém-criada Comarca de Curitiba e Paranaguá. Cinco anos depois, a população da vila era de cerca de 10,5 mil habitantes.[34]

Em 1820, dispunha de 220 casas. No entanto, o começo da extração e da comercialização da erva-mate e a madeira impulsionou novamente seu crescimento. Vinte e dois anos depois já contava com 5 819 habitantes.[15][40] Em 1820, Curitiba também foi visitada pelo naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que ficou encantado com a cidade, e certas partes de seus apontamentos afirmam o seguinte:[3][4]

…As ruas são largas e quase regulares… a praça pública é quadrada, muito grande e coberta de grama… as igrejas são em número de três, todas construídas de pedra… em nenhuma outra parte do Brasil eu havia visto tantos homens verdadeiramente brancos, como no distrito de Curitiba… pronunciam o português sem a alteração que revela a mistura da raça caucásica com a vermelha… são grandes e bonitos, tem os cabelos castanhos e tez rosada, maneiras agradáveis… as mulheres têm traços mais delicados do que as das outras partes do Império por onde viajei. Elas se escondem menos e conversam com desenvoltura.
 

Esta descrição reflete o caráter do povo curitibano de 1820, que originou a Curitiba do fim do século XX. Da Curitiba do Ligeirinho, da Ópera de Arame, da Rua das Flores e da Rua 24 Horas.[3][4] Curitiba foi promovida à condição de cidade pela lei da província de São Paulo n.º 5 de 5 de fevereiro de 1842. Pela Lei Imperial n.º 704, de 29 de agosto de 1853, Curitiba foi designada capital da recém-estabelecida província do Paraná, desmembrada da de São Paulo.[4] Pelo empenho e esforço na emancipação política do Paraná, várias pessoas haviam deixado seu nome nos anais da história. Em 1853, a Câmara Municipal, que operava perto do pátio da matriz, possuindo a seguinte formação: Benedito Enéas de Paula, Fidélis da Silva Carrão, Manuel José da Silva Bittencourt, Floriano Berlintes de Castro, Francisco de Paula Guimarães, Inácio José de Morais, Francisco Borges de Macedo, Antônio Ricardo Lustosa de Andrade, tendo na presidência o coronel Manuel Antonio Ferreira.[3][4]

Mapa de Curitiba em 1894
Vista geral de Curitiba em 1900, com dados de progressão populacional: 1780 (2 949 hab.), 1857 (10 000 hab.), 1858 (11 313 hab.), 1872 (11 730 hab.), 1890 (24 553 hab.), 1900 (50 124 hab.)
Antiga Estação Ferroviária de Curitiba, atual Museu Ferroviário de Curitiba.
Praça Tiradentes, anos 1950. Arquivo Nacional.

Na época, a colonização, por intermédio da imigração europeia, especialmente italiana e polonesa, foi estimulada pelo governo da província. Foram criados, desde 1867, 35 núcleos coloniais nas terras de floresta ombrófila mista na periferia dos campos de Curitiba. A cidade experimentou um novo surto progressista. Expandiu-se a agricultura e começou a industrialização.[15][40][41]

Por meio do movimento imigratório, iniciado no Paraná, que então pertencia à Província de São Paulo, em 1829, Curitiba acolheu, por vários lados, nos séculos XIX e XX, multidões de famílias, em muitas épocas e das mais diversas origens como alemãesitalianospoloneses e ucranianos, sendo também ponto de migração voluntária de povos brasileiros como paulistasgaúchoscatarinensesmineiros e fluminenses. Tudo isso influenciou em sua composição social, infraestrutural, artística e econômica, ao longo do tempo.[4]

Em 2 de fevereiro de 1885, inaugurou-se a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, impulsionando o desenvolvimento de Curitiba, que passava, a partir desta data, a ter uma ligação rápida e moderna com o Porto de Paranaguá. Assim, a ferrovia podia escoar mais eficientemente seu principal produto de exportação, a erva-mate, que vinha ganhando destaque desde a Guerra do Paraguai. Nessa mesma época, foram abertos o Passeio Público e surgiram a rede de encanação de água e, mais tarde, a rede elétrica.[34][43]

Período republicano

Em 1894, devido à Revolução Federalista, as tropas insurgentes, lideradas por Gumercindo Saraiva, dominaram Curitiba. Naquela época, toda a cúpula governamental, chefiada pelo governador em exercício, Vicente Machado, fugiu e abandonou a capital paranaense, encontrando refúgio em Castro durante três meses, de 18 de janeiro a 18 de abril, somente voltando para Curitiba, depois do término do cerco.[44][3][4]

Um dos acontecimentos mais importantes da história de Curitiba ocorreu em 19 de dezembro de 1912, com a criação da Universidade Federal do Paraná, planejada e concretizada por Victor Ferreira do AmaralNilo Cairo e Pamphilo de Assumpção. Depois de implantada a república no Brasil, sem consentimento popular, o primeiro prefeito de Curitiba foi Cândido Ferreira de Abreu (maio de 1893 a dezembro de 1894).[4] Em 1911, o município era constituído somente pelo distrito sede; já em 1929 o território municipal se subdividia em seis distritos de paz. Eram eles: Campo MagroNova PolôniaPortãoSão Casimiro do Taboão, Santa Felicidade e o distrito da Sede.[4] Segundo a Divisão Territorial de 1936, a comarca de Curitiba abrangia três termos: o da sede (PiraquaraRio Branco e Tamandaré), também o de Araucária e ainda o de Colombo, (Bocaiuva e Campina Grande). A Lei Estadual n.º 1452, de 14 de dezembro de 1953, determinou a nova divisão judiciária do município, com a criação de dez Distritos Judiciários, que eram: Sede, PortãoTaboãoBarreirinha, Boqueirão, CajuruCampo Comprido, Santa Felicidade, Umbará e Tatuquara.[3][4]

Na época da Segunda Guerra Mundial, foi elaborado o plano urbanístico de Curitiba denominado Plano Agache, com o objetivo de descongestionar o centro e integrar as demais regiões da cidade. Dentre os legados desse plano, estão as largas avenidas, o Centro Cívico e o Mercado Municipal. Após a Segunda Guerra, a cidade progrediu e se verticalizou, maiormente, em função do crescimento da cafeicultura, no norte do Paraná, e do estímulo da agricultura, mormente no oeste do estado.[15][34][40][41]

Curitiba foi capital da república entre os dias 24 e 27 de março de 1969, na época em que vigorava a ditadura militar, por questão propagandística, visto que a cidade era uma das capitais brasileiras que não fizeram oposição ao regime.[45][46][47]

Em 1971, assumiu, pela primeira vez, a prefeitura de Curitiba, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, que iniciou um projeto de humanização e urbanização moderna, que fez da cidade referência internacional em certos aspectos, como transporte público. Dessa forma, não somente estão mudando as características de seu centro, como também o comportamento da população em aperfeiçoar sua qualidade de vida. Em 1989, Lerner, que se elegeu em 1988, foi novamente empossado na prefeitura municipal.[15][34][40][41]

 

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