Corinthians enfrenta ações judiciais e valores ultrapassam R$ 2,8 milhões
Corinthians enfrenta 30 ações trabalhistas ligadas à antiga divisão de eSports
Processos somam mais de R$ 2,8 milhões e envolvem jogadores e profissionais; clube foi condenado em parte dos casos e cobra ressarcimento da empresa responsável pela operação
O Corinthians enfrenta 30 processos trabalhistas relacionados à antiga divisão de esportes eletrônicos (eSports) do clube. Segundo levantamento publicado pelo ge nesta segunda-feira (26), as ações envolvem o Timão e a empresa CDS E-Sports e Entretenimento Ltda., responsável pela administração das equipes por meio de um contrato de licenciamento de marca. Juntos, os processos somam mais de R$ 2,8 milhões.
As reclamações foram apresentadas por jogadores e outros profissionais que trabalharam no projeto. Entre os principais pedidos estão o reconhecimento de vínculo empregatício, o pagamento de salários atrasados e indenizações por danos morais.
Embora a contratação dos trabalhadores fosse responsabilidade da empresa parceira, o Corinthians também passou a responder judicialmente em parte das ações. Em algumas decisões, a Justiça reconheceu a possibilidade de responsabilização subsidiária do clube por obrigações não quitadas pela administradora.
Treze processos já tiveram decisões condenatórias
De acordo com o levantamento, sete das 30 ações resultaram em condenações em primeira instância, enquanto seis chegaram a decisões condenatórias em segunda instância. Os outros 17 processos ainda não tinham sentença na data da publicação.
Entre os 13 casos com decisões condenatórias, o Corinthians foi condenado junto com a CDS em dez. As três absolvições ocorreram em primeira instância.
Um dos processos envolve um ex-jogador de eSports e resultou em uma condenação de R$ 85.455,74, conforme cálculo de execução provisória. Como a empresa não pagou o valor e não foram encontrados bens para bloqueio judicial, a cobrança foi direcionada ao clube.
Em outro caso, uma ex-jogadora havia firmado acordo de R$ 58 mil, parcelado pela empresa. Após o pagamento de apenas R$ 20,5 mil, o Corinthians precisou arcar com aproximadamente R$ 42,9 mil, considerando os valores corrigidos.
A maior ação identificada no levantamento foi apresentada por uma ex-coordenadora da divisão, com valor inicial de R$ 460.257,32. Ela obteve parte dos pedidos atendidos em primeira instância, com condenação de aproximadamente R$ 200 mil. O montante definitivo ainda dependeria de cálculo judicial.
Parceria foi encerrada em agosto de 2025
A operação das equipes de eSports foi transferida à CDS por meio de um contrato de licenciamento assinado em julho de 2022. O acordo autorizava a empresa a utilizar a marca do Corinthians e atribuía à parceira a responsabilidade pela contratação dos atletas, pelo pagamento dos profissionais e pela administração das equipes.
O projeto enfrentou problemas relacionados à gestão, às condições de trabalho e ao cumprimento das obrigações financeiras. Denúncias de atrasos salariais e outras pendências contribuíram para o encerramento da parceria.
O Corinthians rescindiu o contrato em agosto de 2025, após descumprimentos e tentativas de regularização. Apesar do fim da operação, as reclamações trabalhistas continuaram tramitando na Justiça.
Clube cobra R$ 439,7 mil da antiga administradora
Em manifestação enviada ao ge, o Corinthians afirmou que o contrato atribuía à CDS a responsabilidade pela gestão das equipes, contratação e remuneração dos trabalhadores, encargos trabalhistas e demais despesas da atividade.
Segundo o clube, foram realizadas cobranças formais, reuniões e renegociações para tentar solucionar as pendências, mas as iniciativas não produziram resultados suficientes para regularizar a situação.
Em fevereiro de 2026, o Timão formalizou uma cobrança de R$ 439.705,10 contra a CDS, referente a débitos contratuais atualizados até aquele momento.
O clube sustenta que eventuais condenações trabalhistas não eliminam a responsabilidade contratual da empresa e que mantém o direito de buscar o ressarcimento dos prejuízos. A diretoria informou que continuará adotando medidas jurídicas para defender seus interesses.
O ge também informou que tentou contato com Milson Januário, último administrador da CDS, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço permaneceu aberto para manifestação.
Processos mantêm passivo jurídico em aberto
O acúmulo de ações representa um passivo jurídico e institucional para o Corinthians, principalmente pela possibilidade de responsabilização subsidiária em processos envolvendo obrigações trabalhistas não cumpridas pela empresa licenciada.
Com as ações ainda em andamento, os valores definitivos dependerão das decisões judiciais e dos cálculos realizados na fase de execução. Paralelamente, o clube busca responsabilizar a antiga administradora pelos débitos contratuais e recuperar os valores que afirma ter direito de receber.





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