Falta dipirona no SUS como disse Flávio Bolsonaro?
Falta de dipirona também atingiu unidades de saúde durante governo Bolsonaro
A crítica de Flávio Bolsonaro (PL) à falta de dipirona em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) ignora um dado importante: o problema também foi registrado durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) apontou que 65,6% das prefeituras participantes enfrentavam falta do medicamento, utilizado no combate à dor e à febre.
A escassez não se restringia à dipirona. De acordo com a pesquisa, realizada com 2.469 municípios, 80,4% relataram dificuldades no abastecimento de medicamentos básicos. Entre os produtos em falta estavam antibióticos e remédios utilizados no tratamento de doenças respiratórias.
A situação levou gestores municipais e entidades médicas a alertarem o governo federal. Em abril de 2022, representantes do setor de saúde chamaram a atenção para a escassez de dipirona injetável. No mês seguinte, foram adotadas medidas federais para flexibilizar temporariamente os limites de preços de determinados medicamentos, em uma tentativa de enfrentar o desabastecimento.
A declaração de Flávio ocorre em um cenário que exige cautela na comparação entre governos. Embora existam relatos de falta de medicamentos em unidades públicas, não há, nos dados apresentados, levantamento nacional recente equivalente que permita afirmar que a dipirona esteja em falta de forma generalizada durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além disso, a ausência do medicamento em uma unidade de saúde não significa, necessariamente, que o governo federal tenha interrompido o fornecimento. No SUS, a aquisição e a distribuição de medicamentos envolvem responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios, conforme o tipo de medicamento e as regras de financiamento e assistência farmacêutica.
Os registros de 2022 demonstram que a falta de dipirona já representava um problema relevante durante a administração de Jair Bolsonaro. Entretanto, os números daquele período não permitem medir, isoladamente, a dimensão do problema atualmente, nem estabelecer uma comparação direta entre as duas gestões.
Dessa forma, atribuir a falta de dipirona exclusivamente ao governo Lula não encontra respaldo nos registros históricos. Para avaliar a situação atual com precisão, são necessários dados recentes sobre estoques, compras e distribuição de medicamentos nas redes municipais e estaduais de saúde, além de informações sobre o abastecimento federal.
Fontes: Confederação Nacional de Municípios (CNM), levantamento de 2022; Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).





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