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Debate da Band: quem ganhou e quem perdeu no primeiro embate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Debate da Band: quem ganhou e quem perdeu no primeiro embate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Analistas divergem sobre desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro em debate da Band

Confronto teve troca de acusações, críticas ao formato e poucas propostas; especialistas avaliam que debate dificilmente mudará o cenário eleitoral a uma semana do segundo turno.

O primeiro confronto direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo (18), na Band, foi marcado por ataques pessoais, bate-bocas e críticas ao formato do debate. Na avaliação de cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil, o encontro teve pouco espaço para a discussão de propostas e pode ter impacto limitado na decisão dos eleitores indecisos.

Os dois candidatos haviam faltado aos debates previstos para o primeiro turno e se enfrentaram pela primeira vez nesta etapa da disputa presidencial. A uma semana da votação final, o cenário eleitoral permanece acirrado, com os concorrentes tecnicamente empatados, segundo o agregador de pesquisas da BBC.

Flávio dominou o confronto, avaliam analistas

O primeiro bloco adotou um formato de confronto livre, com 15 minutos para cada candidato falar. Sem moderação efetiva das intervenções, o embate foi marcado por ironias, acusações e interrupções.

Yuri Sanches, diretor de Análise Política da AtlasIntel, classificou o início do debate como “nauseante”. Para ele, o confronto produziu uma impressão negativa entre eleitores que rejeitam tanto o bolsonarismo quanto o petismo.

Lucas Aragão, cientista político da Arko Advice, também criticou o modelo, considerando-o pouco útil para quem ainda não decidiu o voto.

Apesar das críticas ao formato, Sanches e Aragão avaliaram que Flávio Bolsonaro teve melhor desempenho geral, principalmente pela capacidade de conduzir os assuntos e pressionar o adversário.

O senador explorou as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, investigado por suposto tráfico de influência. Lula afirmou acreditar na inocência do filho e ressaltou que a Polícia Federal tem liberdade para conduzir as investigações durante seu governo.

Em contrapartida, Lula questionou Flávio sobre uma negociação de aproximadamente R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para supostamente financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso também é alvo de investigação.

Para Sanches, Flávio demonstrou maior clareza e capacidade de formular perguntas e ataques, enquanto Lula apresentou um desempenho repetitivo e com dificuldades para conduzir o debate.

Lula também teve momentos positivos

A avaliação, porém, não foi unânime. Rafael Cortez, cientista político da Tendências Consultoria, considerou que Lula se saiu melhor ao longo do confronto, embora não tenha identificado um vencedor incontestável.

Um dos momentos destacados por Cortez ocorreu quando o presidente defendeu a abertura dos sigilos bancários dos dois candidatos. Na avaliação do especialista, Lula teve uma postura melhor nos blocos seguintes, quando as regras permitiram perguntas mais organizadas e impediram interrupções.

Mesmo assim, o petista não conseguiu apresentar um fato novo capaz de impulsionar sua candidatura, segundo o analista.

Cortez também avaliou que Flávio adotou uma postura excessivamente debochada, o que pode afastar parte do eleitorado. Por outro lado, o senador se beneficia do sentimento de mudança presente em setores da sociedade e do antipetismo.

Pandemia e segurança pública marcaram o debate

Entre os momentos negativos para Lula, os analistas destacaram a ocasião em que o presidente chamou Flávio de “malandro carioca”. A expressão provocou reação do senador e foi considerada potencialmente prejudicial diante do eleitorado do Rio de Janeiro.

Em outro momento, Lula relembrou a condução da pandemia de covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro, criticando a postura da gestão diante da vacinação e o incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada para tratar a doença.

Flávio reconheceu falhas na área da saúde durante aquele período e fez um mea culpa, afirmando que a pandemia representou um desafio sem precedentes.

Já na segurança pública, o senador conseguiu colocar em evidência um dos temas centrais da eleição. Ele questionou Lula sobre as chamadas “saidinhas”, benefício que permite a determinados presos deixar temporariamente o estabelecimento penal para visitar familiares em datas específicas.

O presidente defendeu a medida para detentos que atendam aos requisitos legais e apresentem bom comportamento, argumentando que a prisão também deve ter como objetivo a recuperação dos condenados.

Para Lucas Aragão, Flávio foi estratégico ao insistir na segurança pública, assunto que figura entre as principais preocupações dos eleitores.

Falta de propostas foi apontada como problema

Apesar de ter se destacado em alguns temas, Flávio também recebeu críticas por não responder diretamente a diversas perguntas e por apresentar poucas propostas concretas.

Aragão avaliou que o senador desviou de questionamentos com mais frequência do que Lula. Cortez compartilhou dessa percepção e considerou que o presidente adotou uma campanha relativamente mais propositiva.

Na avaliação dos especialistas, o debate foi marcado mais pela disputa de narrativas e pela tentativa de desgastar a imagem do adversário do que pela apresentação de soluções para os problemas do país.

Com a eleição se aproximando, o confronto da Band pode ter reforçado as posições já consolidadas dos eleitores, mas dificilmente será suficiente, por si só, para determinar uma mudança significativa na disputa presidencial.

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