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Trump promete “poderio militar sem igual” contra cartéis de drogas

Trump promete “poderio militar sem igual” contra cartéis de drogas

Trump promete ampliar combate a cartéis e reafirma domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental

NAÇÕES UNIDAS — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22) que pretende reafirmar o domínio norte-americano no Hemisfério Ocidental e utilizar o “poderio militar sem igual” do país contra ameaças na região. A declaração ocorreu durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em meio à ampliação da campanha de seu governo contra cartéis de drogas.

Ao discursar diante de líderes mundiais, Trump comparou os cartéis de drogas ao Estado Islâmico (ISIS) e defendeu uma resposta mais firme ao crime transnacional.

Mais tarde, na sede da ONU, o presidente norte-americano se reuniu com líderes e ministros das Relações Exteriores de 14 países da América Latina e do Caribe que aderiram ao “Escudo das Américas”, coalizão anticartéis lançada pelo governo dos EUA.

Trump pediu que os integrantes do grupo se unam aos Estados Unidos para designar 24 organizações narcotraficantes como ameaças à estabilidade e aplicar sanções contra elas. Posteriormente, os países divulgaram uma declaração na qual se comprometeram a avançar em medidas relacionadas às sanções conjuntas.

Durante seu discurso, Trump também citou a operação norte-americana que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro e um acordo petrolífero firmado posteriormente com o governo interino como exemplos da disposição dos Estados Unidos de atuar na região.

“Nossas ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem espaço em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual para garantir os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, afirmou.

A Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump, divulgada no fim do ano passado, estabeleceu diretrizes para uma versão renovada da Doutrina Monroe, política formulada no século 19 que defendia a primazia dos Estados Unidos nas Américas. Críticos associam a doutrina a décadas de intervenções norte-americanas na região.

O próprio Trump passou a utilizar o termo “Doutrina Donroe”, um trocadilho com seu sobrenome, depois que a expressão ganhou espaço na mídia conservadora.

O presidente norte-americano também já mencionou, em diferentes ocasiões, a possibilidade de retomar o controle do Canal do Panamá e anexar a Groenlândia e o Canadá. Nesta terça-feira, ele assinou um acordo relacionado à Groenlândia, mas o entendimento não atende à exigência anterior de que a ilha se torne território dos Estados Unidos para conter a crescente presença da Rússia e da China no Ártico.

A política de Trump para o Hemisfério Ocidental tem provocado preocupações sobre uma possível abordagem neocolonial.

Durante seu discurso na ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à postura norte-americana e alertou os países da América Latina e do Caribe sobre o que chamou de “novas tentações hegemônicas”.

“O Brasil não é quintal de ninguém”, afirmou Lula.

ESCUDO DAS AMÉRICAS

A reunião do grupo Escudo das Américas foi mais uma iniciativa do governo Trump para mobilizar países latino-americanos em torno de uma estratégia mais agressiva contra os cartéis.

A política inclui ataques militares norte-americanos contra embarcações suspeitas de transportar drogas desde o outono passado, além do aumento da cooperação com governos da região.

Trump lançou o grupo em março, durante uma reunião que reuniu mais de uma dúzia de líderes regionais na Flórida.

A coalizão reúne governos alinhados com Washington, entre eles Argentina, Equador e El Salvador. Colômbia e Peru aderiram posteriormente, após a chegada ao poder de presidentes considerados alinhados com Trump.

Brasil e México estão entre os países que não aderiram à iniciativa.

Desde que retornou à Casa Branca, Trump classificou cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e ampliou as operações militares contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental que, segundo autoridades norte-americanas, transportam narcóticos com destino aos Estados Unidos.

Organizações de direitos humanos contestam a legalidade dessas operações e afirmam que os ataques, que deixaram mais de 220 mortos, equivalem a execuções extrajudiciais.

Em seu discurso na ONU, Trump afirmou que governos anteriores permitiram que parte da região fosse dominada por gangues e cartéis, além de acusar adversários estrangeiros de ampliar sua influência.

“Isso acabou”, declarou o presidente, acrescentando que pretende “reafirmar o poder americano” para tornar a região mais segura por meio do combate aos cartéis.

Ao comparar os grupos criminosos ao Estado Islâmico, Trump afirmou que eles deveriam ser “mortos, exilados ou detidos como combatentes inimigos, sem possibilidade de libertação”.

O presidente também destacou a campanha de pressão de seu governo contra Cuba. Ele acusou o governo cubano de fomentar grupos de esquerda “subversivos e radicais” nos Estados Unidos e afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, estaria em “negociações avançadas” com Havana.

Trump ainda classificou como “inaceitável” a atuação dos cartéis que controlam territórios no México, país vizinho dos Estados Unidos. Segundo ele, o governo mexicano precisa “recuperar o controle de seu solo das mãos dos inimigos da humanidade”.

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