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Economista desmente Flávio Bolsonaro e explica o que há por trás de lojas vazias

Flávio Bolsonaro (PL) transformou uma loja fechada das Casas Bahia

Economista desmente Flávio Bolsonaro e explica o que há por trás de lojas vazias

 

Flávio Bolsonaro sobre lojas fechadas com dados que apontam para uma mudança estrutural no varejo, marcada pela migração das compras para o comércio eletrônico.

O principal argumento é que loja física vazia, isoladamente, não comprova queda do consumo nem permite atribuir a crise do varejo exclusivamente ao governo. O comércio brasileiro teria crescido 1,9% no primeiro semestre de 2026, enquanto o e-commerce avançou fortemente e passou a concentrar uma parcela maior das compras.

No caso das Casas Bahia, o texto também ressalta que a própria empresa atribui suas dificuldades a fatores que incluem investimentos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, além dos efeitos da pandemia — portanto, a situação não é apresentada como consequência exclusiva da política econômica atual.

A analogia com as antigas locadoras de DVD resume a tese: o consumidor não necessariamente deixou de comprar; em muitos casos, mudou onde e como compra. O texto ainda destaca que grandes plataformas, como Mercado Livre, Amazon, Shopee e TikTok Shop, aumentaram a concorrência com o varejo tradicional.

Em síntese, a mensagem de Presley é que é preciso separar problemas econômicos conjunturais de uma transformação tecnológica e comportamental que vem alterando o comércio há anos, independentemente de quem esteja no governo.

Flávio Bolsonaro (PL) transformou uma loja fechada das Casas Bahia em cenário de campanha contra Lula. Nesta quarta-feira (19), o candidato à Presidência gravou diante de uma unidade da rede em Taguatinga, no Distrito Federal, para associar a crise da varejista à política econômica do governo. A loja está entre as quase 300 que devem ser fechadas após o grupo pedir recuperação judicial, com dívida declarada de R$ 17,3 bilhões. A própria empresa, no entanto, relaciona suas dificuldades também a investimentos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, além dos impactos da pandemia.

Esse argumento de que lojas e feiras vazias seriam prova de que o governo “quebrou” o comércio já havia sido rebatido no início do mês pelo economista Presley Vasconcellos, o @eupresley. Mestre em Teoria Econômica, ele produz conteúdo nas redes sob o lema “economia para pessoas reais”.

No vídeo, Presley recorre aos próprios números do varejo. O comércio acumulou alta de 1,9% no primeiro semestre de 2026. Em maio, o segmento de tecidos, vestuário e calçados cresceu 3,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

“Daí eu te pergunto, se teve crescimento, para que lado está indo já que essas pessoas estão postando vídeo com o comércio vazio? Porque está todo mundo no e-commerce”, diz. Do balcão para o celular
O comércio eletrônico faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de 15,3%, e a projeção para 2026 é de cerca de R$ 259 bilhões.

As pessoas estão parando de comprar nas ruas e comprando pelo celular”, afirma Presley.

A mudança já aparece também nas compras do dia a dia. As vendas online de bens de consumo de giro rápido cresceram 34%, e levantamentos citados pelo economista mostram que 25% das compras cotidianas já passam por plataformas digitais.

Para ele, isso ajuda a explicar por que lojas físicas podem ter menos movimento sem que isso signifique, necessariamente, uma queda equivalente no consumo.

A concorrência também mudou. Mercado Livre, Amazon, Shopee e TikTok Shop passaram a disputar diretamente o mesmo consumidor, com escala maior, preços mais baixos em muitos casos e compras feitas em poucos cliques.

“Com poucos cliques você compra sem precisar sair da sua cama”, diz.

O TikTok Shop é um exemplo da velocidade dessa migração. Entre maio e setembro de 2025, a receita diária média da plataforma no Brasil cresceu 26 vezes.

Presley também rejeita a tentativa de reduzir essa mudança estrutural à disputa entre governos.

Então a gente tem que ser justo na nossa análise para inclusive ver o movimento do mercado, independente se é governo A, governo B, se é Lula, se é Bolsonaro”, afirma.

Para explicar o raciocínio, ele compara o que acontece hoje no varejo ao desaparecimento das antigas locadoras de DVD. As pessoas não deixaram de assistir a filmes. Mudaram a forma de consumir.

 

Esses comércios, essas pessoas não estão disputando com o governo. Elas estão disputando com grandes corporações que estão investindo muito dinheiro”, diz.

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