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Análise: Mercado ajusta visão sobre fiscal em possível 4º mandato de Lula

Análise: Mercado ajusta visão sobre fiscal em possível 4º mandato de Lula

O mercado financeiro brasileiro já começou a recalibrar suas projeções diante de um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, ao Hora H, a mudança se deve a uma recalibragem na comunicação do governo, que passou a incorporar sinais mais claros de comprometimento com a responsabilidade fiscal. Em outras eleições, a reação dos mercados às pesquisas e à corrida eleitoral era perceptível com antecedência, especialmente no câmbio. Desta vez, porém, o cenário se apresenta de forma distinta.

"O dólar está meio anestesiado", explicou Lucinda, apontando fatores como a valorização do petróleo, o elevado diferencial de taxa de juros entre Brasil e Estados Unidos e a perda de força global da moeda americana como elementos que mascaram o impacto eleitoral sobre o câmbio. Curva de juros como termômetro da preocupação fiscal

O ativo que mais capta a sensibilidade do mercado, segundo Lucinda, é a curva de juros futuros. O juro real pago pelas NTNBs — títulos indexados ao IPCA — encontra-se acima de 8%, refletindo uma preocupação significativa dos investidores. "Se o juro futuro está muito alto, o governo acaba tendo que pagar mais caro para vender os seus títulos públicos", destacou a analista, explicando a espiral negativa gerada sobre a dívida pública. Possivelmente em resposta a esse cenário, o governo vem ajustando sua comunicação. Um sinal concreto dessa mudança foi a inclusão da expressão "responsabilidade fiscal" no programa de governo do candidato Lula — termo que não constava no programa da eleição de 2022.

Além disso, conselheiros do governo já teriam sinalizado a necessidade de adoção de medidas concretas nessa direção. Mercado reage, mas ceticismo ainda persiste

 Apesar dos sinais positivos, Lucinda ressaltou que ainda há muito ceticismo. Em um dia em que os mercados globais pioraram de forma expressiva, a curva de juros brasileira não acompanhou a deterioração na mesma magnitude — o que foi interpretado como uma reação favorável às sinalizações do governo. 

"Se houver uma indicação mais contundente a respeito de um controle fiscal, o mercado vai reagir bem", afirmou a analista, acrescentando que ainda é preciso distinguir o que é compromisso real do que é "apenas o canto da sereia".

 

estaca uma mudança de percepção do mercado financeiro em relação a um eventual quarto mandato de Lula, mas ressalta que a melhora ainda é cautelosa.

Os principais pontos são:

  • Câmbio menos sensível à eleição: o dólar não estaria refletindo claramente a corrida eleitoral, influenciado também pelo petróleo, pelos juros brasileiros elevados em relação aos EUA e pela fraqueza global da moeda americana.
  • Juros futuros são o principal termômetro: a curva de juros continua incorporando uma preocupação relevante com a situação fiscal. As NTN-Bs apresentam juros reais acima de 8%.
  • Mudança na comunicação do governo: a inclusão explícita da expressão “responsabilidade fiscal” no programa de governo de Lula é apontada como um sinal diferente em relação à campanha de 2022.
  • Mercado ainda desconfiado: apesar da reação relativamente positiva às novas sinalizações, investidores aguardam medidas concretas antes de concluir que houve uma mudança efetiva na política fiscal.
  • O ponto decisivo: para o mercado, não basta a mudança de discurso. Será necessário demonstrar, por meio de medidas efetivas, que existe compromisso com o controle das contas públicas.

Em resumo, a leitura apresentada é de que o mercado começou a dar algum crédito às novas sinalizações fiscais de Lula, mas ainda não abandonou o ceticismo. A diferença entre promessa e execução deverá ser determinante para o comportamento dos juros, da dívida e, posteriormente, do câmbio.

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