Durigan diz que juros, e não resultado fiscal, impulsionam alta da dívida pública
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (6) que o aumento do endividamento público desde 2024 está relacionado principalmente ao nível elevado da taxa de juros, e não ao resultado fiscal do governo. Em entrevista à GloboNews, ele destacou que as três principais agências internacionais de classificação de risco elevaram a nota de crédito do Brasil durante a atual gestão, o que, segundo ele, demonstra melhora na percepção das contas públicas.
Durigan reiterou que o governo mantém compromisso com a responsabilidade fiscal e com a melhoria gradual das contas públicas. Segundo o ministro, a administração federal pretende continuar trabalhando para estabilizar a dívida por meio de esforço fiscal e da redução das taxas de juros no médio e longo prazo.
Ao comentar possíveis mudanças na política de valorização do salário mínimo, o ministro afirmou que o tema não está em discussão neste momento. Segundo ele, eventuais cenários para o período pós-eleitoral ainda serão avaliados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O chefe da Fazenda também descartou qualquer possibilidade de adoção de controle de capitais — mecanismo que restringe a entrada e saída de recursos do país. A declaração foi feita após repercussão de falas do coordenador do programa de governo de Lula, Sergio Gabrielli, que defendeu a medida e provocou reação negativa no mercado financeiro. Durigan afirmou que o assunto não faz parte das discussões do governo nem da campanha.
O ministro ainda declarou que o governo não está gastando acima da arrecadação e negou qualquer risco de o Tesouro Nacional deixar de honrar seus compromissos financeiros. Segundo ele, a preocupação do governo é construir uma trajetória sustentável para a dívida pública.
Durigan afirmou que a atual gestão herdou um déficit próximo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e que esse desequilíbrio foi praticamente eliminado. O governo projeta cumprir a meta fiscal de 2026 com um superávit de R$ 10,8 bilhões, embora especialistas apontem que despesas excluídas da meta resultariam em um déficit efetivo maior.
Para o ministro, o principal desafio fiscal dos próximos anos será controlar o crescimento das despesas públicas e ampliar a arrecadação por meio da revisão de incentivos fiscais considerados ineficientes. Ele ressaltou que, para o presidente Lula, a responsabilidade fiscal é condição necessária para promover crescimento econômico e reduzir as desigualdades.
Na entrevista, Durigan também afirmou que segue atuando em sintonia com o presidente Lula, com o presidente do PT, Edinho Silva, e com o ex-ministro Fernando Haddad. Além disso, elogiou publicamente o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, destacando a parceria na condução da política econômica.
