Lula chama proposta de Trump sobre Estreito de Ormuz de “pirataria” e critica cobrança de 20% sobre cargas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa equivalente a 20% da carga transportada por navios que cruzam o Estreito de Ormuz. Durante visita aos laboratórios do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, Lula classificou a ideia como um ato de "pirataria" e afirmou que os EUA não deveriam lucrar com a segurança da região.
Ao comentar uma publicação de Trump na rede Truth Social, Lula afirmou que a cobrança seria injustificável.
"Antigamente, isso se chamava pirataria. Um Estado importante como os EUA, por muito tempo, combateu a pirataria. Não volte agora a virar pirata. Não tem que cobrar, é da responsabilidade deles", declarou o presidente.
Lula também relacionou a proposta ao conflito no Oriente Médio, argumentando que os Estados Unidos não deveriam obter ganhos financeiros em meio à instabilidade na região.
"É muito delicado a gente perceber que os EUA provocam uma guerra e, agora, começam a cobrar pelo navio que vai atravessar pela segurança dele. Não é comum, normal, democrático. É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça", afirmou.
O que propôs Trump
Em entrevista à Fox News e posteriormente em publicação na Truth Social, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos passariam a atuar como "guardiões" do Estreito de Ormuz e, por isso, deveriam ser reembolsados pelos custos da operação.
Segundo o presidente americano, a compensação seria equivalente a 20% de toda a carga transportada pela rota marítima.
"Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de justiça, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada", escreveu.
A proposta, no entanto, contrasta com uma declaração feita pelo próprio Trump em junho, quando afirmou que o Estreito de Ormuz permaneceria aberto sem qualquer cobrança de pedágio.
Irã reage
O governo iraniano respondeu à proposta por meio de um comunicado militar, afirmando que não aceitará interferência dos Estados Unidos na administração do estreito.
Segundo a nota, qualquer tentativa de atuação americana sem autorização iraniana será contestada, e países da região que cooperarem com Washington poderão ser considerados participantes de um conflito contra o Irã.
Importância estratégica
Com cerca de 50 quilômetros de largura, o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do planeta. Antes da escalada recente das tensões na região, aproximadamente 20% do petróleo e do gás comercializados mundialmente passavam pelo local, tornando-o estratégico para o abastecimento global de energia.
Durante a mesma agenda em São Paulo, Lula também defendeu a produção nacional de biodiesel e afirmou que o combustível deve ser comercializado "pelo preço justo", sem a cobrança de alíquotas extras.
