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Efeito Lula: sobram empregos; empresários diminuem escalas e aumentam benefícios

Publicada em: 05/07/2026 09:28 -

Mercado de trabalho aquecido expõe falta de mão de obra e desafia empresas no Brasil

A dificuldade para contratar trabalhadores tem se consolidado como um dos principais desafios enfrentados pelas empresas brasileiras. Diferentemente das crises de desemprego que marcaram o passado, o cenário atual é resultado de um mercado de trabalho aquecido, com a taxa de desocupação próxima do chamado pleno emprego e escassez crescente de profissionais, especialmente os mais qualificados.

Levantamento da consultoria ManpowerGroup aponta que oito em cada dez empregadores brasileiros enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados, situação que se mantém há pelo menos cinco anos. Ao mesmo tempo, outra pesquisa da empresa coloca o Brasil na quarta posição entre 42 países com maior intenção de contratação para o período entre julho e setembro. Dos 1.080 empregadores entrevistados, 52% afirmaram que pretendem ampliar seus quadros de funcionários.

A escassez é ainda mais evidente entre profissionais com ensino superior. Segundo a consultoria Robert Half, a taxa de desemprego desse grupo foi de apenas 3,3% no primeiro trimestre do ano, bem abaixo da taxa geral de 6,1%.

Empresas mudam estratégias

Reportagem publicada pelo jornal O Globo mostra que empresas de diferentes setores têm adotado medidas para enfrentar a dificuldade de contratação. As alternativas incluem jornadas de trabalho mais flexíveis, revisão dos critérios de seleção e até a transferência de operações para regiões com maior oferta de mão de obra.

No varejo, a rede de supermercados Verdemar, de Minas Gerais, mantém cerca de 500 vagas abertas — quase 10% do total de seus 5,5 mil funcionários. Mesmo oferecendo salários compatíveis com o mercado e benefícios como plano de saúde, a empresa enfrenta dificuldades para preencher cargos como operador de caixa, repositor, estoquista e atendente de padaria.

Para tornar as vagas mais atrativas, a rede implantou escalas de trabalho com mais dias de descanso, medida que ajudou na atração de candidatos, mas aumentou os custos operacionais.

A Livraria Leitura também flexibilizou seus processos de seleção, ampliando o perfil dos candidatos para cargos de entrada, inclusive com maior abertura para trabalhadores mais velhos. Segundo a empresa, o número de candidatos por vaga caiu pela metade nos últimos anos.

Nordeste ganha espaço

Outra estratégia adotada pelo setor privado tem sido a expansão para cidades do Nordeste, onde ainda há maior disponibilidade de trabalhadores.

A empresa de atendimento ao cliente AeC concentra atualmente mais de 45 mil de seus 56 mil funcionários na região, priorizando cidades médias como Campina Grande (PB), Juazeiro do Norte (CE) e Mossoró (RN). A combinação entre horários flexíveis, possibilidade de trabalho remoto e oportunidades de crescimento profissional ajudou a reduzir a rotatividade dos funcionários.

Déficit de profissionais qualificados

Nos setores que exigem maior qualificação técnica, o problema é ainda mais grave.

Na cadeia do petróleo, faltam técnicos em soldagem, química e instrumentação, além de engenheiros, cientistas de dados e administradores. O setor estima cerca de 64 mil vagas abertas em toda a cadeia produtiva.

Especialistas atribuem essa escassez à aposentadoria de profissionais experientes, ao crescimento de novos projetos e à concorrência com áreas como tecnologia e energias renováveis.

A situação também afeta os segmentos de infraestrutura e energia, onde o processo de contratação de profissionais especializados pode levar vários meses.

Tendência

Especialistas avaliam que a dificuldade para encontrar trabalhadores deve se intensificar nos próximos anos, impulsionada pelo envelhecimento da população, pelas mudanças nas expectativas dos profissionais e pela expansão do emprego formal.

 

O cenário evidencia um paradoxo considerado positivo para a economia: a escassez de mão de obra decorre menos da falta de vagas e mais do aquecimento do mercado de trabalho, reforçando a necessidade de ampliar a qualificação profissional para atender à demanda crescente das empresas.

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