O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a abertura de uma investigação sigilosa e autônoma para apurar informações encontradas nos celulares do advogado Frederick Wassef, que atua na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro.
A decisão foi tomada no âmbito da investigação sobre as joias recebidas da Arábia Saudita, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) entendeu que o conteúdo extraído dos aparelhos não possui relação direta com esse inquérito. Diante disso, Moraes concedeu prazo de 15 dias para que a PGR se manifeste sobre os dados encontrados e sobre as possíveis hipóteses criminais apontadas pela Polícia Federal.
O pedido da PF para aprofundar a análise foi apresentado em março e autorizado pelo ministro apenas em julho. No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento da investigação sobre a suposta apropriação de joias por Jair Bolsonaro.
No parecer, Gonet argumentou que não existe legislação específica definindo a destinação de presentes recebidos por presidentes da República de autoridades estrangeiras, o que, segundo ele, inviabilizaria uma acusação pelo crime de peculato. Apesar do pedido de arquivamento, Moraes decidiu não encerrar imediatamente o caso e determinou manifestação específica da PGR sobre o conteúdo dos celulares de Wassef.
Defesa de Wassef
Em nota, Frederick Wassef afirmou que suas prerrogativas profissionais foram desrespeitadas durante a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal. Segundo o advogado, a diligência ocorreu sem a presença de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), apesar de determinação judicial nesse sentido.
Wassef declarou que a busca foi realizada por cerca de quatro horas e meia e sustentou que a ausência de representante da OAB torna a medida nula. Também afirmou que o intervalo de mais de três anos entre a apreensão dos aparelhos e a abertura da nova apuração descaracteriza a chamada "descoberta fortuita de provas", classificando o procedimento como uma "pesca probatória", prática que, segundo ele, é vedada pelo próprio STF.
O advogado ainda negou qualquer irregularidade e afirmou que não há em seus celulares elementos que justifiquem a abertura de uma investigação criminal.
Histórico judicial
Frederick Wassef também responde e respondeu a outros processos judiciais. Entre eles, foi condenado em primeira instância por ofensas dirigidas a uma funcionária de uma pizzaria em Brasília, em 2020. Também foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por ameaças contra a jornalista Juliana Dal Piva. O advogado ainda teve atuação em casos de grande repercussão, como as investigações envolvendo Fabrício Queiroz e o caso Fecomércio-RJ.
