PF mira aliados de Sóstenes Cavalcante; Dino cita saques de até R$ 15 milhões em investigação
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (1º) uma operação contra pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que apontou indícios do uso de empresas para ocultar supostos desvios de recursos públicos e destacou movimentações em dinheiro vivo que podem chegar a R$ 15 milhões.
Durante o programa CNN 360º, o analista de política Matheus Teixeira ressaltou que a decisão de Dino não afirma que os R$ 15 milhões tenham sido destinados diretamente ao parlamentar. Segundo ele, a investigação tem origem em uma operação realizada no fim de 2025, quando a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Sóstenes e apreendeu cerca de R$ 500 mil em espécie.
Na decisão, Flávio Dino afirmou que as investigações apontam como prática recorrente a utilização de pessoas jurídicas para dissimular, aparentemente, o desvio de recursos públicos. O ministro também mencionou comunicações de inteligência financeira que registram saques em espécie que, somados, podem alcançar R$ 15 milhões.
Ao analisar a origem dos R$ 500 mil encontrados com o deputado, Dino afirmou que a hipótese investigada ganha maior relevância diante da possibilidade de que parte dos valores tenha origem em crime de peculato atribuído a um parlamentar federal. O ministro também apontou inconsistências na justificativa apresentada por Sóstenes para explicar a posse do dinheiro.
Segundo a decisão, o imóvel que o deputado alegou ter vendido para justificar os recursos só foi oficialmente transferido para seu nome quase um mês após o cumprimento do mandado de busca e apreensão. A transferência, conforme o ministro, foi realizada por um advogado investigado por participação em transações consideradas suspeitas.
Batizada de Operação Rent a Car, a investigação apura suspeitas de desvios relacionados ao uso de cotas parlamentares destinadas ao aluguel de veículos. No decorrer das apurações, a PF identificou pessoas ligadas ao deputado que administrariam empresas responsáveis por movimentar e sacar grandes quantias em dinheiro, fato que motivou a referência aos R$ 15 milhões na decisão judicial.
A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à operação. Em parecer, o órgão afirmou que as provas reunidas pela PF indicam que os valores encontrados com o deputado não possuem documentação considerada suficiente para comprovar origem lícita, além de apontar ausência de comprovação clara do fluxo financeiro que levou ao armazenamento do dinheiro em espécie.
Sóstenes Cavalcante nega todas as acusações e sustenta que não praticou qualquer irregularidade.
Líder influente do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes é considerado um dos principais articuladores da bancada e mantém diálogo tanto com parlamentares da oposição quanto com integrantes do governo e do Centrão. As decisões de Flávio Dino envolvendo investigações sobre emendas parlamentares e recursos públicos têm ampliado o debate entre o Congresso Nacional e o STF, com parte dos parlamentares alegando que há uma criminalização da atuação política relacionada às emendas, enquanto as investigações seguem em andamento.
