A declaração de Donald Trump ocorreu durante a cúpula do G7 e gerou repercussão porque ele comentou a situação política brasileira ao mencionar a condenação de Eduardo Bolsonaro, mas aparentemente confundiu Eduardo com Flávio Bolsonaro ao falar de um "Bolsonaro Jr." que estaria sendo preso ou correndo risco de prisão.
O que Trump disse
Segundo relatos da imprensa, Trump afirmou que o Brasil está "um pouco difícil" e "perigoso politicamente". Ao comentar o cenário brasileiro, disse ter ouvido que "prenderam o Bolsonaro Jr." ou que havia uma tentativa de prendê-lo, associando isso ao fato de ele estar bem posicionado politicamente.
O que aconteceu de fato?
Quem foi condenado pelo STF nesta semana foi Eduardo Bolsonaro. A Primeira Turma do STF o condenou por coação no curso do processo, entendendo que ele tentou pressionar autoridades brasileiras por meio de articulações junto ao governo dos Estados Unidos relacionadas ao julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro. A pena fixada foi de 4 anos e 2 meses de prisão, além de inelegibilidade por oito anos, ainda sujeita a recursos.
Já Flávio Bolsonaro não foi preso nem condenado nesse caso. Por isso, analistas interpretaram que Trump confundiu os dois irmãos ao fazer a declaração.
Reação de Lula
Após as declarações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu que Trump deveria "ficar fora" das eleições brasileiras e criticou o que considera interferência em assuntos internos do país. O episódio aumentou a tensão diplomática entre Brasília e Washington, que já vinham divergindo sobre tarifas comerciais e outras questões bilaterais.
Contexto maior
As falas ocorreram em meio a:
- Discussões sobre novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.
- Divergências entre os governos sobre políticas comerciais e regulatórias.
- A recente decisão dos EUA de classificar PCC e CV como organizações terroristas.
- O julgamento e a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF.
Em resumo, a principal controvérsia da fala de Trump foi a afirmação de que um "Bolsonaro Jr." teria sido preso ou estaria sendo perseguido politicamente. Os fatos públicos indicam que Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF, enquanto Flávio Bolsonaro não foi alvo dessa decisão, sugerindo uma confusão entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (17/6) que a situação do Brasil está "um pouco difícil" e que o país está "perigoso politicamente". Em uma entrevista coletiva durante a cúpula do G7 em Evian, na França, Trump foi perguntado se conversou com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a questão das novas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, ou sobre a classificação de organizações terroristas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Trump respondeu dizendo que passou "bastante tempo" com o presidente brasileiro, mas não falou sobre as questões levantadas. O presidente americano preferiu mencionar os Bolsonaro, mas acabou confundindo os filhos do ex-presidente. "Ouvi dizer que prenderam alguém que estava concorrendo a um cargo hoje", afirmou.
"Acabei de me despedir dele [de Lula] e ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Ou prenderam, ou querem prendê-lo", disse Trump. O senador e pré-candidato à presidência Flavio Bolsonaro (PL-RJ) é o principal rival de Lula neste momento, segundo as pesquisas eleitorais. "Eles jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Olha, nossas eleições são totalmente fraudadas. Temos eleições manipuladas." Na terça-feira (16), a Primeira Truma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo, um crime que ocorre quando alguém tenta intimidar, pressionar ou interferir em investigações ou ações judiciais. A acusação é de que Eduardo articulou nos Estados Unidos retaliações do governo Trump contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar impedir o julgamento do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP), por tentativa de golpe de Estado — ele acabou condenado em setembro e, no momento, cumpre pena em prisão domiciliar humanitária.
A presença de Lula e Trump no mesmo local ampliou as expectativas para possíveis interações no G7, em um momento de novo tensionamento da relação diante da possibilidade da aplicação de uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras. As supostas práticas brasileiras condenadas pelo governo americano para justificar as novas tarifas são relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O governo americano ainda está recebendo consultas do público até o dia 1º de julho sobre as medidas. No dia 6 de julho, haverá uma audiência pública. Além disso, a Casa Branca oficializou, no dia 5 de junho, a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. A designação de CV e PCC como entidades terroristas internacionais pelo Departamento de Estado norte-americano marcou a maior derrota do governo Lula na sua relação com o governo do presidente Trump desde a imposição do tarifaço, em 2025.
Foi uma batalha que demorou mais de um ano, com idas e vindas de lado a lado e que, neste momento, parece ter sido vencida pelo grupo político agora liderado pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O risco de Lula ficar escanteado no G7 em meio ao foco em crises globais e embate entre Trump e Europa Governo Trump critica Pix, etanol e corrupção e ameaça retaliar com tarifas de 25% sobre produtos do Brasil STF condena Eduardo Bolsonaro por articular ações do governo Trump contra o Brasil: o que pode acontecer com ele?
