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Não há espaço fiscal para fim da escala 6x1, diz Gesner Oliveira

Publicada em: 12/06/2026 06:07 -

a visão do economista e colunista Gesner Oliveira sobre a proposta de redução da jornada de trabalho e o eventual fim da escala 6x1. Os principais argumentos levantados por ele são:

Pontos centrais da análise

  • A proposta é popular entre os trabalhadores, porque reduz as horas trabalhadas sem diminuir os salários, o que aumenta o valor da remuneração por hora.
  • Segundo Oliveira, existe um desencontro entre o tempo político-eleitoral e o tempo econômico, já que os benefícios imediatos seriam percebidos antes de possíveis efeitos econômicos de médio prazo.
  • Ele argumenta que países frequentemente citados como exemplos, como os Países Baixos, a França e a Suécia, possuem níveis de produtividade e renda significativamente superiores aos do Brasil.

Impacto sobre emprego e produtividade

  • Com base em estudos utilizando dados da RAIS e da PNAD do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o economista estima que, caso a produtividade permaneça estagnada, a medida poderia resultar na perda de cerca de 500 mil empregos.
  • Ele destaca que o crescimento da produtividade brasileira entre 1990 e 2024 teria sido inferior a 1% ao ano, bem abaixo de países como a China e a Índia.
  • Também cita a redução da jornada de 48 para 44 horas promovida pela Promulgação da Constituição Federal de 1988, afirmando que não houve evidências claras de aumento de produtividade associado à mudança.

Pequenas e médias empresas

  • Oliveira ressalta que dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que cerca de 87% dos trabalhadores que atuam mais de 40 horas semanais estão em pequenas e médias empresas.
  • Segundo ele, esse segmento seria o mais afetado pelo aumento dos custos trabalhistas decorrentes da redução da jornada.

Questão fiscal

  • O economista afirma que, embora em alguns países tenham sido adotadas compensações governamentais para amenizar o impacto sobre as empresas, o Brasil enfrentaria limitações devido à situação fiscal.
  • Por isso, considera que não haveria espaço significativo para subsídios ou desonerações amplas como contrapartida.

Alternativa defendida

  • Oliveira menciona como alternativa a proposta de uma PEC por horas trabalhadas, apresentada pelo senador Rogério Marinho.
  • Na avaliação dele, um modelo mais flexível permitiria negociações adaptadas a diferentes setores e realidades econômicas, em vez de uma regra uniforme para todo o país.

Contexto do debate

O debate sobre o fim da escala 6x1 envolve diferentes visões econômicas e sociais. Defensores da mudança argumentam que jornadas menores podem melhorar a qualidade de vida, a saúde e a produtividade dos trabalhadores. Já críticos, como Gesner Oliveira, alertam para possíveis efeitos sobre custos empresariais, emprego e competitividade caso a produtividade não acompanhe a redução das horas trabalhadas.

 

Assim, a discussão gira principalmente em torno de duas questões: se a redução da jornada pode ser absorvida pela economia sem perda de empregos e qual seria o ritmo adequado para implementar essa mudança.

O debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou nova análise crítica. Gesner Oliveira, colunista do CNN Money, avaliou que o principal problema da proposta não está necessariamente no mérito da mudança, mas no processo e no ritmo com que o tema está sendo conduzido. Oliveira destacou que há dois tempos que não estão dialogando de forma adequada: o tempo econômico, ligado ao bem-estar e ao crescimento, e o tempo eleitoral. Segundo ele, a medida é "obviamente simpática", pois propõe reduzir a jornada sem mexer no salário, o que equivale a um aumento do salário por hora. "Coincidentemente, em setembro ou outubro, época da eleição, os trabalhadores vão perceber que há uma mudança na jornada de trabalho que parece positiva", afirmou. No entanto, o colunista alertou que o período de transição previsto é excessivamente curto. Diferentemente de países como Holanda, França e Suécia — economias com alta produtividade e alta renda —, o Brasil apresenta um cenário distinto. "Aqui, na verdade, você tende a manter a produtividade e aumentar o salário por hora, reduzindo a demanda por mão de obra e reduzindo os postos de trabalho", explicou Oliveira. Risco de meio milhão de postos de trabalho Com base em estudo utilizando dados da RAIS e da PNAD do IBGE, Oliveira estimou um impacto de perda de aproximadamente meio milhão de postos de trabalho, considerando a produtividade estagnada. Ele ressaltou que a taxa de crescimento da produtividade brasileira entre 1990 e 2024 foi inferior a 1% ao ano, enquanto China registrou 8% e Índia, 5% no mesmo período. O colunista também lembrou que o Brasil já realizou experimento semelhante com a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. "Não há nenhuma evidência de aumento de produtividade que tenha acompanhado essa redução da jornada de trabalho no final dos anos 80", afirmou. Oliveira ainda citou dados do IPEA indicando que cerca de 87% dos trabalhadores com jornada superior a 40 horas estão em pequenas e médias empresas, segmento para o qual o próprio IPEA reconhece um impacto elevado de custo. Sem espaço fiscal para compensações Questionado sobre a possibilidade de o setor produtivo exigir contrapartidas do Estado, Oliveira reconheceu que seria natural que isso ocorresse, citando experiências internacionais em que compensações foram oferecidas diante do aumento no custo da folha de pagamento. Porém, foi categórico: "Não há espaço fiscal". Como alternativa, o colunista defendeu o aprofundamento do debate com base em evidências técnicas e destacou como proposta promissora a PEC por horas trabalhadas, de autoria do senador Rogério Marinho. Para Oliveira, a medida seria mais aderente à tendência do mercado de trabalho moderno, por permitir maior flexibilidade na negociação individual e coletiva da jornada. "Sempre o que vem como uma coisa rígida de Brasília para o país inteiro, para todos os setores, sempre é algo que não vai funcionar direito", concluiu.

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