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Flávio Bolsonaro leva crise de Vorcaro à Marcha de Tarcísio

Publicada em: 05/06/2026 06:18 -

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), subiu nesta quinta-feira (4) ao trio da Marcha para Jesus ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), num ato religioso atravessado pela crise política do filho zero um. A imagem pesa porque Flávio Bolsonaro não chegou ao palanque como convidado neutro. O pré-candidato do PL ao Planalto entrou na Marcha carregando o caso Daniel Vorcaro, a acusação de traição à pátria e a cobrança pública sobre sua atuação nos Estados Unidos contra interesses brasileiros. Flávio Bolsonaro e Tarcísio cantaram e oraram juntos no trio. O prefeito Ricardo Nunes ficou entre os políticos que separavam o senador do advogado-geral da União, Jorge Messias, que ficou em outra ponta do carro de som. O senador tentou tirar a marca eleitoral da presença no evento, mas usou a fala para levar a disputa de 2026 ao terreno religioso. Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e disse que o “mal” seria expulso do governo ainda neste ano. A contradição ficou exposta no próprio formato do ato. A Marcha para Jesus tem caráter religioso, mas virou vitrine de pré-campanha quando reuniu, no mesmo palanque, o governador paulista, o prefeito da capital e o nome escolhido pelo bolsonarismo para disputar a Presidência. A crise que acompanha Flávio Bolsonaro ganhou novo capítulo na quarta-feira (3). O Blog do Esmael registrou que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro incluiu o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, em nova versão de proposta de colaboração premiada enviada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação ainda precisa ser aceita pelas autoridades. O ponto político, porém, já está posto. Vorcaro teria narrado cobranças e transferências de cerca de R$ 60 milhões para a produção do filme, segundo anotação do Blog do Esmael. Flávio Bolsonaro nega irregularidade e diz que tratou de patrocínio privado. O caso nasceu com reportagem do The Intercept Brasil, que revelou mensagens, documentos e áudios sobre a negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Depois da revelação, o senador confirmou ter pedido dinheiro ao banqueiro para financiar o filme, mas negou ter recebido vantagem. O segundo flanco da crise é internacional. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu procedimento contra o Brasil envolvendo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas, propriedade intelectual, etanol, corrupção e desmatamento. O prazo para comentários vai até 1º de julho, com audiência em 6 de julho. A pauta atingiu o Pix, infraestrutura pública criada e regulada pelo Banco Central do Brasil (BC). O governo Lula passou a tratar o ataque americano ao sistema brasileiro como tema de soberania nacional, não apenas como disputa técnica entre meios de pagamento. O presidente Lula (PT) chamou Flávio Bolsonaro de traidor da pátria e imbecil ao associar o tarifaço de Donald Trump à atuação do bolsonarismo nos Estados Unidos. O senador nega ter pedido tarifa contra o Brasil e afirma que tentou evitar punições contra empresas brasileiras. Eduardo Bolsonaro ampliou o desgaste ao citar o Zelle, sistema privado dos Estados Unidos, como “Pix dos EUA”. A fala reforçou a leitura governista de que a família Bolsonaro tenta transformar uma infraestrutura pública brasileira em moeda de troca numa negociação conduzida sob pressão de Washington. Para Tarcísio, o problema é simples e incômodo. Ao dividir o trio com Flávio Bolsonaro, o governador paulista emprestou palco, foto e normalidade política a um aliado que tenta se defender de duas frentes ao mesmo tempo: o dinheiro de Vorcaro no filme da família e a acusação de atuar contra o Brasil no exterior. Ricardo Nunes também entra na conta porque a investigação sobre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora de “Dark Horse”, alcança contrato de wi-fi público da Prefeitura de São Paulo. O prefeito criticou a apuração, mas a presença no trio reforçou a conexão política entre os personagens do mesmo campo. A Marcha para Jesus virou, assim, teste de contaminação eleitoral. Flávio Bolsonaro buscava bênção pública e contato com o eleitor evangélico. Tarcísio tentava preservar a ponte com o bolsonarismo. Nunes procurava manter espaço entre religiosos e direita paulista. A foto entregou os três no mesmo palanque. O custo político agora será medido fora do trio. Se Vorcaro avançar na delação e se Trump mantiver a ofensiva contra o Brasil, a presença de Flávio Bolsonaro deixará de ser apenas agenda de campanha. Virará cobrança sobre quem aceitou dividir palco com o pré-candidato mais tóxico da direita. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.  

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