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Jairinho é condenado a 43 anos pela morte de Henry Borel e Monique recebe perdão judicial

Publicada em: 04/06/2026 08:23 -

O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro concluiu o julgamento da morte de Henry Borel, de 4 anos, após 11 dias de sessões.

  • Jairo Souza Santos Júnior foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado e por um episódio de tortura contra Henry.
  • Monique Medeiros teve a acusação de homicídio por omissão desclassificada para homicídio culposo e recebeu perdão judicial, sendo determinada sua soltura.
  • A pena de Monique por omissão em um caso de tortura (1 ano e 4 meses) já havia sido cumprida.
  • Leniel Borel deverá receber R$ 400 mil por danos morais, valor a ser pago por Jairinho.

Fundamentação da juíza

A juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que Monique foi alvo de forte perseguição pública e misoginia durante os cinco anos de tramitação do processo. Segundo a magistrada, não ficou comprovado que ela tenha contribuído intencionalmente para a morte do filho.

Debate central do julgamento

O principal ponto de disputa foi se Monique sabia ou não das agressões sofridas por Henry.

  • O Ministério Público sustentou que ela tinha conhecimento das violências praticadas por Jairinho e falhou em proteger o filho.
  • A defesa argumentou que Monique desconhecia as agressões e também foi vítima da manipulação do então companheiro.

Depoimentos

Durante o julgamento, Monique declarou pela primeira vez acreditar que Jairinho possa ter sido o responsável pela morte de Henry, citando o comportamento dele e relatos de outras pessoas.

Jairinho, por sua vez, negou todas as acusações de agressão e afirmou que a investigação se baseou principalmente nos relatos da babá da família.

Recurso

 

Tanto a defesa de Jairinho quanto o Ministério Público informaram que pretendem recorrer da decisão.

RIO – O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias pela morte de Henry Borel, de 4 anos. A mãe do menino, Monique Medeiros, teve o homicídio por omissão desclassificado para homicídio culposo e recebeu o perdão judicial. A juíza Elizabeth Machado Louro determinou a soltura de Monique. A defesa de Jairinho e o Ministério Público afirmaram que vão recorrer da decisão. Ela foi responsabilizada pela omissão em apenas um caso de tortura contra o filho. A pena, de 1 ano e quatro meses, entretanto, já foi cumprida pela professora. O pai de Henry, Leniel Borel, deverá receber reparação de danos morais de R$400 mil, a ser paga por Jairinho. “Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e ao longo do processo, embora fosse apontada como mãe zelosa, e não ter sido acusada de infligir diretamente agressões físicas a seu filho, a revolta evoluiu rapidamente para franco massacre nas redes sociais, com ataques muito mais virulentos do que aqueles dirigidos ao autor direto”, afirmou a magistrada durante a sentença. Monique Medeiros recebeu perdão judicial Foto: Brunno Dantas/TJRJ Monique Medeiros recebeu perdão judicial Foto: Brunno Dantas/TJRJ A magistrada afirmou que Monique foi alvo de misoginia extrema declarada e que, durante os cinco anos do caso, a mãe de Henry foi alvo de uma perseguição implacável. “Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho, para o que, de resto, não contribuiu intencionalmente, viu-se algo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra a sua honra e sua autoestima como mãe, para não falar do completo desprezo pela sua dor”, afirmou. O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro concluiu na madrugada desta quinta-feira, 4, o julgamento do caso – o mais longo da história do Estado – após 11 dias de depoimentos e debates entre acusação e as defesas do ex-vereador e da mãe do menino. Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel Foto: Brunno Dantas/TJRJ Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel Foto: Brunno Dantas/TJRJ Jairinho foi condenado pela prática de homicídio duplamente qualificado e pelo crime de tortura contra o menino Henry em um dos três episódios citados pela acusação. Ele foi absolvido pela prática de outras duas torturas das quais era acusado. O julgamento do Caso Henry Borel foi marcado pelo debate sobre a omissão ou não de Monique Medeiros na morte de Henry. De um lado, o Ministério Público sustentou que a professora sabia da tortura que o menino sofria do padrasto e não atuou para protegê-lo. Do outro, a defesa de Monique alega que ela não sabia da violência sofrida pelo filho. Para o Ministério Público, Jairinho agia de forma sádica e cruel dentro do apartamento do casal na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio. A causa da morte — laceração hepática — foi, segundo a acusação, com base nos laudos periciais, como resultado direto de violência física sofrida por Henry no dia 8 de março de 2021. Com uma narrativa consolidada de que Jairinho foi o responsável direto pela morte do menino, a acusação focou em convencer os jurados sobre a omissão de Monique no papel de proteger o filho. Monique Medeiros recebeu perdão judicial e será solta Foto: Brunno Dantas/TJRJ Monique Medeiros recebeu perdão judicial e será solta Foto: Brunno Dantas/TJRJ ‘Um psicopata e uma narcisista’ A acusação refutou de forma veemente a tese de que ela era uma mãe subjugada ou ingênua. O promotor Fábio Vieira descreveu Jairo como “um psicopata” e Monique como “uma narcisista”. “Quando a gente olha e se debruça nesse processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe. Os gritos desse garoto para a mãe pedindo para que ele fosse salvo”, afirmou o promotor. A acusação focou em tentar contrapor a narrativa de Monique, de que não teria identificado as agressões de Jairo ao filho. Os promotores sustentaram que a professora, mesmo com sinais de que o então namorado agredia Henry, não teria atuado para impedir a violência. “Monique soube desde o início quem era o Jairo”, afirmou Cristiano Medina, assistente de acusação. Promotor Fábio Vieira defendia condenação de Jairo e Monique Foto: Brunno Dantas/TJRJ Promotor Fábio Vieira defendia condenação de Jairo e Monique Foto: Brunno Dantas/TJRJ Monique acusou Jairo Acusada de homicídio por omissão contra o próprio filho, Monique Medeiros acusou em depoimento, pela primeira vez, Jairo pela morte de Henry Borel. “Eu acho que foi, eu creio que foi. Hoje, assim pelo modus operandi dele, pelas ex-namoradas, pelos filhos, sim, eu acredito que pode ter sido ele", afirmou Monique em depoimento. A defesa de Monique refutou a ideia de que a professora teria se omitido em relação às agressões de Jairo ao filho “para manter uma vida de luxo”. Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, é acusada de homicídio por omissão Foto: Brunno Dantas/TJRJ Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, é acusada de homicídio por omissão Foto: Brunno Dantas/TJRJ Outro ponto rebatido pela advogada Florence Rosa é o padrão de maternidade esperado de uma mãe para acusar Monique. A acusação cita diversas vezes as idas de Monique à academia e a vaidade dela para sustentar um suposto padrão narcisista da professora. “A minha maternidade seria criticada por essas pessoas também. Ninguém veio falar que ela maltratava o filho, ninguém falou que o filho ficava jogado, que o filho ficava sujo, que o filho não recebia cuidado intelectual e material devido, pelo contrário. Tudo que eles vem aqui falar para os senhores é sobre a roupa que ela usava, sobre o fato dela ter ido à academia”, afirmou. A acusação destacou que, mesmo após a morte de Henry, Monique manteve planos de casamento com Jairinho, foi ao salão de beleza dias após o enterro e manteve um comportamento frio e calculista, escolhendo o status social e o conforto financeiro proporcionados pelo político em detrimento da vida do próprio filho. Já a defesa de Monique cita que a acusação não relata, no entanto, que Leniel Borel foi à barbearia três dias após a morte do filho e teria participado de churrascos apenas uma semana após o crime. Para os advogados dela, isso apenas reforça a tese de culpabilização da mãe e violência de gênero. Babá avisou sobre as agressões? Uma troca de mensagens entre a babá Thayná de Oliveira Ferreira e Monique Medeiros, no dia 12 de fevereiro de 2021, menos de um mês antes da morte de Henry, esteve no centro do debate da acusação e dos advogados da professora. Para a acusação, o diálogo provava que Monique sabia das agressões e se omitiu. Já a defesa de Monique, sustentou que as mensagens não deixam claro de que Henry estava sendo agredido pelo padrasto. O menino Henry Borel foi assassinado aos 4 anos, em março de 2021. O padrasto e a mãe respondem pelo crime na Justiça (Reprodução: Instagram) Foto: O menino Henry Borel foi assassinado aos 4 anos, em março de 2021. O padrasto e a mãe respondem pelo crime na Justiça (Reprodução: Instagram) Foto: Na tarde do dia 12, a babá narrou a Monique, que estava em um shopping, em tempo real via WhatsApp, que Jairinho havia chegado mais cedo, se trancado no quarto com Henry e aumentado o som da televisão. Thayná avisou que Henry saiu do quarto chorando, mancando e com um “galo” na cabeça. Monique, que estava em um salão de beleza, demonstrou aparente preocupação, dizendo que voltaria correndo para casa. Jairinho nega agressões a Henry: ‘Eu não fiz isso’ Em depoimento na noite de terça-feira, 2, Jairinho contestou o depoimento da babá Thayná Ferreira, que o acusou de ter torturado o filho de Monique e Leniel em três ocasiões. “Eu não fiz isso com o Henry. A Monique sabe, o pai, a mãe, o irmão da Monique sabem. O pai do Henry sabe que eu não fiz nada com o menino. Ele dormia quatro vezes por semana na casa do avô. A avó, dona Rosangela, dormia na nossa casa. Todos tomavam conta do Henry. E a investigação contra mim tem como base a percepção abstrata da Thayná sobre agressões contra o Henry que nunca aconteceram. Minha vida está destruída por causa de prints que pegaram da babá”, afirmou.

 

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