Principais pontos
- Lula cumpre agenda nas cidades de Catalão e Rio Verde, importantes polos econômicos do interior goiano.
- Em Catalão, o presidente inaugura o novo campus do Instituto Federal Goiano e o Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão.
- Em Rio Verde, visita o Hospital Municipal Universitário, referência regional por ter realizado uma cirurgia robótica gratuita pelo SUS.
Cenário político
- Goiás é um dos estados com maior rejeição a Lula. Pesquisa da Genial/Quaest citada no texto aponta que 66% dos entrevistados afirmam conhecer o presidente, mas não votariam nele.
- Desde a redemocratização, Lula venceu em Goiás apenas nas eleições presidenciais de 2002 e 2006.
- O avanço do bolsonarismo ampliou a distância entre o PT e o eleitorado goiano, com vitórias expressivas de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.
Diferenças entre as cidades visitadas
- Rio Verde tem histórico mais alinhado ao eleitorado conservador do estado e deu vitória a Lula apenas em 2002.
- Catalão apresenta um histórico mais favorável ao PT, com vitórias de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff em eleições anteriores, embora Bolsonaro tenha vencido no município em 2018 e 2022.
Disputa interna do PT para 2026
O partido ainda não definiu quem disputará o governo de Goiás em 2026. Entre os nomes citados estão:
- Adriana Accorsi, deputada federal e ex-candidata à Prefeitura de Goiânia.
- Flávio Faedo, empresário e produtor rural de Rio Verde, visto por parte da legenda como uma ponte com o agronegócio.
A expectativa é que a visita presidencial ajude a fortalecer a articulação política do PT no estado e contribua para a definição do palanque local para as eleições de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará em Goiás nesta terça-feira (2/6), estado onde o PT venceu apenas duas das nove eleições presidenciais desde 1989 e ainda precisa definir um candidato para o governo estadual em 2026. A agenda inclui compromissos em Catalão e Rio Verde, importantes polos econômicos no interior goiano. Faltando menos de quatro meses para as eleições, a programação reflete o esforço do Palácio do Planalto para superar resistências em segmentos historicamente distantes de Lula, que demorou a visitar o estado neste terceiro mandato, com sua primeira viagem ocorrendo apenas em setembro de 2024. Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada em maio mostra que Goiás possui o segundo maior índice de rejeição ao presidente no país, atrás apenas do Paraná, com 66% dos entrevistados afirmando que conhecem o petista, mas não votariam nele. Para tentar reverter esses índices, o Planalto tem investido em anúncios direcionados a alguns segmentos, com investimentos, programas e inaugurações de obras. Em Goiás, não será diferente. Nesta terça-feira, a primeira parada de Lula será em Catalão, no sudeste do estado, onde o presidente inaugura o novo campus do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), uma obra financiada pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que deve atender mais de 1,2 mil estudantes, e o Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Ainda na cidade, o Ministério da Saúde deve anunciar a recomposição de recursos federais para garantir a abertura da nova unidade hospitalar, que terá 33 leitos de clínica médica nesta primeira fase e pretende beneficiar 1,5 milhão de pessoas em 56 municípios da região. No período da tarde, o presidente se desloca para Rio Verde, no sudoeste goiano, um dos principais expoentes do agronegócio nacional. A cidade, que registrou a sétima maior produção agrícola do país em 2025 com R$ 4,9 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abriga o Hospital Municipal Universitário (HMU). Lula visitará a unidade, pioneira no Centro-Oeste ao realizar, em janeiro passado, a primeira cirurgia robótica totalmente gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região, e participará de uma homenagem a profissionais sanitaristas. DESAFIOS As duas cidades que receberão Lula refletem, com algumas distinções, o tamanho do desafio do PT no estado, conforme mostram os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Rio Verde acompanha o voto goiano: Lula venceu ali apenas na eleição de 2002, quando obteve 50,91% dos votos válidos contra 49,09% de José Serra (PSDB). Desde então, o partido acumulou derrotas no município. Geraldo Alckmin superou Lula no segundo turno de 2006, e Dilma Rousseff (PT), que havia sido escolhida como sucessora do petista, também foi derrotada em 2010 e 2014. O cenário se acentuou com o bolsonarismo: em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad (PT), substituto de Lula naquele ano, com mais de 67% dos votos válidos e, em 2022, superou Lula com 61,90%. Catalão, por sua vez, apresenta um histórico mais favorável ao PT. O atual presidente venceu na cidade em 2002 e 2006, e Dilma Rousseff também saiu vitoriosa em suas duas campanhas. A virada local ocorreu apenas em 2018, com a vitória de Bolsonaro por mais de 57% dos votos válidos, cenário que se repetiu em 2022 por uma margem muito apertada: 50,08% para o então candidato à reeleição contra 49,92% de Lula. As resistências locais espelham o comportamento do eleitorado no estado. As duas únicas vitórias de Lula em Goiás ocorreram nos segundos turnos de 2002 e 2006. Em todas as outras disputas desde 1989, os goianos optaram pelo outro lado: Fernando Henrique Cardoso venceu em 1994 e 1998; Dilma Rousseff perdeu em 2010 para José Serra (50,75% a 49,25%) e em 2014 para Aécio Neves (57,11% a 42,89%). O antipetismo se consolidou com o avanço do bolsonarismo: em 2018, Jair Bolsonaro derrotou Haddad no estado com 65,52% dos votos e, em 2022, bateu Lula por 58,71% a 41,29%. O PLACAR DE LULA E DO PT EM GOIÁS 1989: Fernando Collor e Lula disputaram o segundo turno. Collor foi eleito e também liderou em Goiás: 68,44% dos votos válidos no estado, ante 31,56% de Lula. 1994: Fernando Henrique Cardoso (PSDB), eleito no primeiro turno, alcançou 67,48% dos votos válidos em Goiás; Lula, 18,60%. 1998: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi reeleito no primeiro turno. No estado, registrou 65,96% dos votos, ante 19,62% de Lula. 2002: Lula ganhou no segundo turno no Brasil e em Goiás. O petista obteve 57,08% dos votos válidos no estado, e José Serra (PSDB) alcançou 42,92%. 2006: Lula foi reeleito no segundo turno. Também liderou em Goiás: 54,78% contra 45,22% de Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB. 2010: Dilma Rousseff (PT) foi eleita no segundo turno, mas perdeu em Goiás. Petista alcançou 49,25%, ante 50,75% de José Serra. 2014: Dilma foi reeleita, mas perdeu novamente no estado: Aécio Neves (PSDB) alcançou 57,11% dos votos válidos no segundo turno, e a então presidente registrou 42,89%. 2018: Fernando Haddad (PT), que substituiu Lula na corrida presidencial daquele ano, perdeu em Goiás. Naquele ano, Jair Bolsonaro (PL) foi eleito no segundo turno e também liderou no estado: 65,52% contra 34,48% de Haddad. 2022: Lula foi eleito para um terceiro mandato, mas perdeu em Goiás. No segundo turno, o petista registrou 41,29%, ante 58,71% de Bolsonaro. INDEFINIÇÃO NO PALANQUE LOCAL Além do cenário adverso nas urnas presidenciais, o desafio do PT em Goiás passa pela construção do palanque da sigla para as eleições no estado, um dos poucos em todo o país onde a legenda ainda não definiu a candidatura ao governo estadual. Dirigentes partidários esperam que a presença de Lula em território goiano nesta terça ajude a unificar as bases e encaminhar um consenso. Há uma expectativa de que a direção estadual da sigla se reúna na próxima sexta-feira (5/6) para tentar encerrar o impasse. Dentro do PT, uma ala defende a candidatura da deputada federal Adriana Accorsi, nome que disputou a prefeitura de Goiânia em 2016, 2020 e 2024, não conseguindo se eleger em nenhuma das oportunidades. Outro grupo sinaliza a viabilidade de lançar o empresário e produtor rural Flávio Faedo, que é de Rio Verde, em um aceno direto para tentar reduzir as arestas com o setor produtivo e o agronegócio. Adriana é filha do ex-prefeito Darcy Accorsi, que comandou Goiânia entre 1993 e 1996. Aliás, apesar de não ter tradição nas eleições presidenciais no estado, o PT tem certa representatividade na capital goiana. Além de Darcy, Goiânia já teve os seguintes prefeitos petistas: Pedro Wilson (2001 a 2003) e Paulo Garcia (2010 a 2012; e 2013 a 2016).
