A declaração de Ciro Gomes marca um possível reposicionamento político para 2026.
Os principais pontos da fala dele foram:
- Decisão até meados de maio
Ciro afirmou que decidirá na primeira quinzena de maio se:- disputará a Presidência da República em 2026; ou
- concorrerá ao governo do Ceará.
- Convite do PSDB
Hoje filiado ao PSDB, ele disse que está refletindo após convite feito por Aécio Neves para encabeçar a chapa presidencial tucana. -
Desgaste com a política nacional
Ciro demonstrou forte cansaço e mágoa, especialmente com a eleição de 2022, quando concorreu pelo PDT e teve cerca de 3% dos votos válidos, seu pior desempenho em disputas presidenciais.Ele afirmou ter se sentido “profundamente humilhado” e criticou o ambiente político, classificando-o como “fascista de lado a lado”.
-
Críticas à economia
Ciro traçou um cenário econômico pessimista, citando:- endividamento recorde das famílias;
- aumento de recuperações judiciais;
- inadimplência;
- crescimento da dívida pública;
- juros altos.
Também afirmou que o Brasil vive um “colapso” econômico e institucional.
- Ataque à polarização
Ele voltou a criticar a polarização entre PT e PL, alegando que ambos defendem políticas econômicas semelhantes em temas como:- tripé macroeconômico;
- autonomia do Banco Central;
- política de preços da Petrobras.
- Foco no Ceará
Ao falar sobre uma eventual candidatura estadual, Ciro disse ver o Ceará em “estado de entrega absoluta às facções criminosas”, com influência do crime organizado na política local.
Cenário político
Se Ciro optar pela Presidência, tentará pela quinta vez chegar ao cargo. Ele já concorreu em 1998, 2002, 2018 e 2022.
Se optar pelo governo do Ceará, entrará numa disputa onde ainda mantém influência regional e pode tentar reconstruir capital político após o enfraquecimento nacional.
A fala mostra um Ciro dividido entre:
- um projeto nacional, baseado no discurso de “alternativa” à polarização;
- e um projeto regional, apostando em sua força histórica no Ceará.
O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) afirmou neste sábado (25) que vai decidir até meados de maio se será candidato à Presidência da República em 2026 ou se disputará o governo do Ceará. A declaração foi feita em São Paulo, antes dele participar de um evento que reuniu pré-candidatos de seu partido ao Legislativo. Em sua primeira agenda pública desde que foi convidado a encabeçar a chapa presidencial do PSDB por Aécio Neves, presidente nacional da legenda, Ciro relatou cansaço com a política nacional e disse que só considera a possibilidade diante da gravidade do cenário econômico e institucional do país. "Eu quis muito [a Presidência], mas não consegui. E na última eleição eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que negou a mim o próprio direito de participar, uma coisa constrangedora. E eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar parabéns nem para dar os pêsames", disse a jornalistas antes de subir no palco. Ciro já tentou ser presidente em quatro eleições e teve o seu pior desempenho em 2022, quando ficou em quarto lugar pelo PDT, com cerca de 3% dos votos válidos. Ainda assim, disse estar obrigado, "por respeito" ao PSDB, a refletir sobre o convite. "Eu me obrigo, por respeito, a pensar e amadurecer o assunto, e devo no fim da primeira quinzena de maio tomar essa decisão", afirmou. Segundo ele, o país vive um colapso das finanças familiares e empresariais, com recordes de endividamento, recuperações judiciais e inadimplência. "Nunca houve nada parecido antes", afirmou, ao citar dados sobre famílias negativadas e empresas com dificuldades financeiras. Ciro também criticou o crescimento da dívida pública e o patamar dos juros. "Nossa sociedade hoje está sob o pior juro do planeta Terra", disse. Embora a indefinição envolva também o governo do Ceará, o discurso de Ciro foi majoritariamente nacional. Ele classificou a atualidade como o "pior momento histórico, sob ponto de vida estrutural, da nossa vida republicana" e defendeu uma ruptura com o atual modelo. "O Brasil precisa de uma alternativa. Agora, eu não sei se sou eu, porque eu cansei, perdi a crença nas mediações brasileiras", afirmou. O ex-ministro atacou ainda o que considera uma falsa polarização entre os dois principais campos políticos do país. "Que polarização é essa em que os dois defendem a mesma política econômica?", questionou, citando suposta convergência entre PT e PL no modelo do tripé econômico (câmbio flutuante, superávit primário, meta de inflação), na política de paridade de preços internacionais da Petrobras e na autonomia do Banco Central. Ele também cobrou propostas sobre as chamadas terras raras, que chamou de "petróleo do século 21". A possibilidade de uma candidatura ao governo do Ceará segue em aberto. Ciro disse que, após a eleição de 2022, voltou ao estado e encontrou uma realidade que classificou como preocupante. "Eu encontro o Ceará em estado de entrega absoluta às facções criminosas, o crime organizado irradiando-se para a própria estrutura política", afirmou, citando casos recentes de prefeitos cassados e eleições anuladas por ligações com organizações criminosas. Ele contou que resistiu inicialmente à ideia de disputar o governo estadual, mas disse ter sido pressionado por aliados e eleitores. Segundo Ciro, existe no Ceará um ambiente que permitiria a construção de um projeto comum, mesmo entre forças que divergem no plano nacional.
