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Carta de Luiz ao verdadeiro povo brasileiro

Carta de Luiz ao verdadeiro povo brasileiro

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de comemoração dos 21 anos do PROUNI e dos 14 anos da Lei de Cotas, na Arena Anhembi – Santana, São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR) Meus amigos e minhas amigas, Hoje escrevo não aos que sempre tiveram lugar à mesa do poder, nem aos que, de longe, costumam decidir os caminhos do país como quem move peças sobre um tabuleiro. Escrevo a vocês — ao povo de verdade. Àqueles que acordam antes do sol, que enfrentam a vida com coragem, que sustentam suas famílias com dignidade e fazem o Brasil existir todos os dias, mesmo quando ninguém está olhando. Aos que trabalham e empreendem. Escrevo como quem escreve a um velho amigo, como quem se senta à mesa da cozinha e, tomando uma xícara de café, fala olhando nos olhos. Porque é com vocês que aprendi a caminhar; foi entre vocês que entendi o valor da palavra e do compromisso. Se no passado foi preciso dialogar com os mercados para garantir estabilidade, hoje meu compromisso é direto, simples e inegociável: é com o povo brasileiro. É com a vida concreta de cada um e de cada uma de vocês. Assumo, diante de todos, a defesa permanente da democracia. Não como um conceito distante, mas como o direito de cada brasileiro viver em paz, trabalhar, sonhar e escolher o seu próprio destino. A democracia não é moeda de troca, não se negocia, não se curva. E não haverá hesitação diante de qualquer tentativa de ruptura. Assumo também a defesa da soberania nacional. O Brasil não está à venda — nunca esteve e nunca estará. Nosso território, nossas riquezas, nossas terras, nossa gente — tudo isso tem valor que não se mede em cifras, mas em história, em pertencimento, em futuro. Mas não falo apenas de grandes ideias. Falo da vida como ela é. O Brasil voltou a crescer com responsabilidade, e isso precisa chegar da porta para dentro de cada família, de cada pequeno comércio, de cada pequena propriedade rural, no suor de quem trabalha. E é aqui que faço um compromisso especial com as famílias da agricultura familiar — aquelas que cultivam a terra com as próprias mãos, que alimentam este país de norte a sul, que resistem às dificuldades e seguem produzindo com dignidade. Vocês não estão sozinhos. Vamos fortalecer o crédito, garantir mercado, ampliar oportunidades e valorizar quem planta o alimento que chega à mesa do povo brasileiro. Eu sigo também como sempre fui: um caixeiro-viajante deste Brasil imenso. Rodando estradas, cruzando oceanos, singrando os ares, abrindo portas e mercados para que nossos produtos cheguem mais longe, para que o mundo conheça a força do que produzimos aqui. Cada novo mercado aberto é mais renda, mais dignidade e mais futuro para o nosso povo. À juventude, especialmente à geração que cresce em meio a tantas transformações, digo com sinceridade: o Brasil que estamos construindo é um país onde será possível viver com propósito. Um país que respeita a saúde mental, valoriza a criatividade, protege o meio ambiente e reconhece novas formas de trabalho e de sonhar. Aos trabalhadores e às trabalhadoras, reafirmo: dignidade não pode ser privilégio. Vamos avançar para garantir mobilidade, acesso e oportunidades, porque o direito de ir e vir também é o direito de viver melhor. A tarifa zero será realidade. Às mulheres brasileiras, deixo um compromisso firme: nenhuma forma de violência será tolerada. O Estado estará presente, forte e atuante, protegendo, acolhendo e garantindo justiça. No combate ao crime, seremos firmes — mas também inteligentes. Não basta prender; é preciso desmontar as estruturas, cortar o dinheiro, sufocar e enfraquecer quem lucra com a violência. E ao povo negro e aos indígenas deste país, renovo meu compromisso: essa história não será esquecida. A dívida existe, e ela será enfrentada com políticas reais, com respeito e com ação. Quero dizer também algo que sempre guiou minha vida: respeito à fé de cada um. Este é um país de muitas crenças, de muitas formas de ver o mundo — e todas merecem respeito. Sempre agi assim, e assim continuarei. Porque a fé, seja qual for, é parte da dignidade humana. Nada disso são promessas vazias. São compromissos de quem conhece o Brasil de perto, de quem já caminhou muito e ainda tem estrada pela frente. Porque o verdadeiro Brasil não está nos gabinetes silenciosos, nem nos números frios dos relatórios. O verdadeiro Brasil está em vocês. É por vocês que sigo. É com vocês que continuo caminhando. Com respeito, com lealdade e com esperança, Do sempre amigo,

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