Roberta Jersyka Oliveira Brasil Soares, uma mulher de 37 anos, originária de Fortaleza, no Ceará, e com formação em engenharia, decidiu mudar de carreira ao ingressar no curso de medicina da Universidade de São Paulo, em 2020. Inicialmente, suas publicações online destacavam uma vida equilibrada, com estudos, exercícios físicos regulares e momentos ao lado com parentes e amigos. No entanto, a partir de setembro de 2022, os conteúdo postados passaram a ser “políticos”. Na verdade, conteúdo extremista em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). Filha de um oficial do Exército com patente de segundo-tenente, ela se deslocou até a capital federal no início de 2023 para se juntar a uma manifestação organizada por apoiadores do ex-presidente de extrema direita, contestando de forma conspiratória o resultado das eleições que deram a vitória ao hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL). Durante o trágico episódio, que escalou para a invasão das sedes dos Três Poderes, Roberta foi capturada no interior do Congresso Nacional. Em decisão tomada por dez dos onze integrantes do Supremo Tribunal Federal em abril de 2024, ela recebeu pena de 14 anos em regime inicial fechado, enquadrada em delitos como tentativa de derrubada do regime democrático pela, golpe de Estado, formação de grupo criminoso e prejuízos a bens protegidos por lei. Adicionalmente, integrou o rol de indivíduos responsáveis por reparar danos morais no valor coletivo de R$ 30 milhões. Os advogados responsáveis pela defesa sustentaram ausência de evidências ligando-a diretamente a atos de depredação e questionaram a jurisdição do STF no caso, por falta de prerrogativa de foro, mas essas alegações não prosperaram na Corte. Após obter autorização para responder em liberdade condicional em agosto de 2023, sob supervisão do ministro Alexandre de Moraes, ela se transferiu para o Ceará. Contudo, em 25 de maio de 2024, violou o dispositivo de monitoramento eletrônico e deixou de comparecer às audiências obrigatórias. Documentos recentes da Vara de Execução Penal cearense, encaminhados ao STF no começo de dezembro de 2025, confirmam que a inobservância das condições persiste, com seu registro atualizado como foragida no sistema nacional de ordens de captura. Relatos indicam que ela se refugiou na Argentina, e sua representante legal relatou perda de comunicação desde o início do ano. Passados 19 meses desde o início da fuga, o caso exemplifica os desdobramentos judiciais dos episódios de 8 de janeiro de 2023, com implicações para o sistema de justiça e o monitoramento de condenados. As imagens captadas pelo sistema de vigilância mostraram o momento em que agentes da Polícia Legislativa a detiveram enquanto ela se encontrava de joelhos em oração. Esse registro visual foi incorporado ao processo investigativo. Como consequência direta da detenção, ela optou por suspender temporariamente sua matrícula na faculdade. De acordo com a acusação formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República, a participação de Roberta envolveu entrada nas áreas internas do prédio e contribuição para danos em itens ali presentes. O documento oficial aponta que o objetivo era “tentar, com emprego de violência e grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos Poderes Constitucionais, bem como depor o governo legitimamente constituído, buscando a tomada do poder por militares e a implantação de uma ditadura, porque contrário ao resultado do pleito eleitoral de 2022 e por não confiar na apuração dos votos”.
