O Brasil enfrenta um enorme desafio ambiental e econômico: a maior parte do lixo reciclável gerado no país acaba sendo descartada em aterros sanitários ou lixões, resultando em um desperdício anual de cerca de R$ 38 bilhões, conforme dados do Ministério do Meio Ambiente. Em média, cada brasileiro gera 1 kg de lixo por dia, totalizando cerca de 380 kg por ano, mas um dado alarmante da Abrema indica que apenas 8,3% desse volume é, de fato, reciclado. Em 2024, mais de 70 milhões de toneladas de resíduos foram parar em locais inadequados, incluindo mais de 1.500 lixões que, pela legislação, deveriam ter sido extintos em agosto.
Os Três Maiores Entraves para a Reciclagem Nacional
Especialistas apontam que este baixo índice de reciclagem decorre de uma combinação de fatores complexos que vão além da gestão municipal. Os três principais desafios identificados são:
-
Sistema de Tributação: O material reciclado é tributado como se fosse matéria-prima virgem, fazendo com que ele pague imposto duas vezes. Esse sistema onera o produto final reciclado, que pode se tornar mais caro e menos competitivo em relação ao produto novo.
-
Falta de Infraestrutura: A carência de coleta seletiva eficiente atinge a maioria dos municípios, especialmente os de pequeno porte. Apenas cerca de 30% das cidades brasileiras contam com programas de coleta seletiva, e o desafio de implantar pontos de entrega e centrais de triagem é grande.
-
Falta de Conscientização: Uma parcela significativa da população não faz a separação correta do lixo em casa, comprometendo a qualidade e o volume do material destinado à reciclagem.
O Desafio Financeiro das Prefeituras
A responsabilidade pela gestão do lixo é dos municípios, e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) aponta o alto custo e o desequilíbrio financeiro como os maiores entraves para a expansão da coleta seletiva. Em 2022, por exemplo, os municípios gastaram cerca de R$ 30 bilhões com a coleta de resíduos (seletiva e convencional), mas a arrecadação para cobrir essas despesas foi de apenas R$ 9,9 bilhões. Esse déficit financeiro de mais de 68% dificulta a superação da complexidade de gestão e a implantação de um sistema de reciclagem eficiente em escala nacional.
