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REGIÃO SUDESTE 1º SÃO PAULO - SP

Publicada em: 12/10/2025 13:32 -

São Paulo é um município brasileiro, capital do estado de São Paulo e cidade mais populosa do Brasil, da América e de todo o hemisfério sul. Listada pela Globalization and World Cities Research Network (GaWC) como uma cidade global alfa, exerce significativa influência internacional no comércio, finanças, artes e entretenimento.[8] É a área urbana mais populosa do mundo fora da Ásia e a cidade lusófona mais populosa do planeta. Seu nome homenageia Paulo de Tarso e seus habitantes são conhecidos como paulistanos. O lema latino da cidade é Non ducor, duco, que se traduz como "Não sou conduzido, conduzo".[9][10]

Fundada em 1554 por padres jesuítas, uma das cidades mais antigas continuadamente habitadas do continente americano, foi o centro dos colonizadores bandeirantes durante o Brasil Colônia, mas tornou-se uma força econômica relevante durante o ciclo do café em meados do século XIX. A partir desse período, transformou-se em palco de eventos marcantes da história brasileira, como o Grito do Ipiranga, a Semana de Arte Moderna, a Revolução de 1932 e o movimento Diretas Já. No século XX, consolidou seu papel como principal centro econômico nacional com a industrialização no Brasil, que fez da cidade um caldeirão cosmopolita, lar das maiores diásporas árabesitalianas e japonesas do mundo, com bairros étnicos como BixigaBom Retiro e Liberdade, além de pessoas de mais de 200 outros países.[11] A região metropolitana da cidade, popularmente chamada de Grande São Paulo, é a mais populosa do Brasil e uma das mais populosas do mundo, com cerca de 20 milhões de habitantes. O processo de conurbação entre as regiões metropolitanas do entorno da Grande São Paulo também criou a Macrometrópole Paulista, a primeira megalópole do hemisfério sul, com mais de 30 milhões de habitantes.[12][13]

São Paulo é a maior economia urbana da América Latina,[14] representando cerca de 10% do PIB brasileiro e por volta de 30% do PIB paulista.[15] A cidade é sede da B3, a maior bolsa de valores latino-americana em capitalização de mercado,[16] e possui diversos distritos financeiros, principalmente nas áreas ao redor das avenidas PaulistaFaria Lima e Berrini. São Paulo abriga 63% das multinacionais estabelecidas no Brasil[17] e é a fonte de cerca de um terço da produção científica brasileira,[18] sendo um dos 100 clusters de inovação e tecnologia mais avançados do mundo.[19] Sua principal universidade, a Universidade de São Paulo, é frequentemente considerada a melhor do Brasil e da América Latina,[20][21] enquanto a cidade é regularmente classificada como uma das melhores do mundo para ser um estudante universitário nos relatórios anuais QS World University Rankings.[22][23] A metrópole também abriga vários dos arranha-céus mais altos do Brasil, como os edifícios Alto das NaçõesPlatina 220Figueira Altos do TatuapéMirante do ValeItáliaAltino Arantes e Torre Norte. É a capital com o melhor saneamento básico,[24] a segunda mais desenvolvida, de acordo com o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (2025),[25] e a sexta em Índice de Progresso Social (IPS) do país.[26]

A cidade é um dos principais pólos culturais da América Latina e abriga monumentos, parques e museus como Memorial da América LatinaParque do IbirapueraMuseu do IpirangaPinacotecaCinematecaItaú CulturalMuseu de Arte de São PauloMuseu CataventoMuseu do FutebolMuseu da Língua Portuguesa e Museu da Imagem e do Som. Além disso, recebe eventos relevantes como Bienal Internacional de Arte de São PauloSão Paulo Fashion WeekSão Paulo Jazz FestivalLollapaloozaPrimavera SoundThe Town FestivalComic Con Experience e Parada do Orgulho LGBT, o segundo maior evento LGBT do mundo. São Paulo também já foi sede de muitos eventos esportivos, como as Copas do Mundo FIFA de 1950 e 2014, os Jogos Pan-Americanos de 1963 e a São Paulo Indy 300, além de sediar anualmente o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1 e a Corrida Internacional de São Silvestre.

História

Primeiros povos

A área onde está situada a Grande São Paulo era habitada principalmente pela tribo indígena dos guaianás no período pré-cabralino, povo que também dominava a região do atual Vale do Ribeira.[27] Os índios guaianás eram caçadores-coletores nômades. Eles não habitavam em ocas e tinham o hábito de viver em covas forradas com peles de animais e ramas. No início do século XIX, esse povo indígena estava extinto.[28]

Fundação

Pátio do Colégio, no Centro Histórico, local onde foi fundada a cidade em 1554. O prédio atual é uma reconstrução com base no edifício jesuíta criado em 1653.[29]

A povoação de São Paulo dos Campos de Piratininga (topônimo indígena que significa “peixe seco” ou "peixe a secar", após a cheia do rio),[30] por sua vez, surgiu em 25 de janeiro de 1554 com a construção de um colégio jesuíta (atual Pátio do Colégio) por doze padres, entre eles Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no alto de uma colina escarpada, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí.[31] Tal colégio, que funcionava num barracão feito de taipa de pilão, tinha por finalidade a catequese dos índios que viviam na região do Planalto de Piratininga, separados do litoral pela Serra do Mar, chamada pelos índios de "Serra de Paranapiacaba".[32] O nome São Paulo foi escolhido porque o dia da fundação do colégio foi 25 de janeiro, mesmo dia no qual a Igreja Católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso, conforme disse o padre José de Anchieta em carta à Companhia de Jesus: "A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso, a ele dedicamos nossa casa!".[33]

O povoamento da região do Pátio do Colégio teve início em 1560, quando, na visita de Mem de Ságovernador-geral do Brasil, à Capitania de São Vicente, este ordenou a transferência da população da vila de Santo André da Borda do Campo, fundada em 1553 por João Ramalho e situada no caminho do mar (atual região do ABC paulista),[34][35] para os arredores do colégio, denominado "Colégio de São Paulo de Piratininga", local alto e mais adequado (uma colina escarpada vizinha a uma grande várzea, a Várzea do Carmo, por um lado e, pelo outro lado, por outra baixada, o Vale do Anhangabaú), para melhor se proteger dos ataques dos índios.[31][36]

Em 1562, no entanto, incomodados com a aliança entre tupiniquins e portugueses, os índios tupinambás, unidos na Confederação dos Tamoios, lançam uma série de ataques contra a vila em 9 de julho, no episódio conhecido como Cerco de Piratininga. A defesa organizada por Tibiriçá e João Ramalho obriga os indígenas a recuarem em 10 de julho do mesmo ano.[37] Ainda em 1590, com a iminência de um novo ataque a cidade novamente se prepara com obras de defesa. Na virada do século XVII, os ataques de indígenas diminuem e se consolida o povoamento, nas palavras de Alcântara Machado: "Afinal, com o recuo, a submissão e o extermínio do gentio vizinho, mais folgada se torna a condição dos paulistanos e começa o aproveitamento regular do chão".[38]

Capital de capitania

São Paulo permaneceu, durante os dois séculos seguintes, como uma vila pobre e isolada do centro de gravidade da colônia, o litoral, e se mantinha por meio de lavouras de subsistência. São Paulo foi, por muito tempo, a única vila no interior do Brasil. Esse isolamento de São Paulo se dava principalmente porque era dificílimo subir a Serra do Mar a pé da Vila de Santos ou da Vila de São Vicente para o Planalto de Piratininga. Subida esta que era feita pelo Caminho do Padre José de Anchieta.[39] Mem de Sá, quando de sua visita à Capitania de São Vicente, proibira o uso do "Caminho do Piraiquê" (hoje Piaçaguera), por serem, nele, frequentes os ataques dos índios.[31]

No século XVII, homens que trabalhavam na região sudeste com a exploração de minérios, escravização de indígenas e captura de escravos fugitivo, que em sua época eram conhecidos como "paulistas" ou "sertanistas",[40] foram os responsáveis pelo início das expedições das bandeiras, que geralmente partiam da cidade de São Paulo seguindo o curso dos rios, criando trilhas e pontos de apoio que depois se transformariam em cidades. Essas explorações, que acabaram por ampliar o território da colônia do Estado do Brasil, tinham como principal objetivo a captura de indígenas para a escravidão através de ataques à aldeias e missões jesuíticas. Os principais "bandeirantes", como esses homens ficaram conhecidos posteriormente, foram Fernão Dias PaisManuel de Borba GatoBartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera), Domingos Jorge VelhoAntônio Raposo TavaresNicolau Barreto e Manuel Preto.[41]

Em 22 de março de 1681, o Marquês de Cascais, donatário da Capitania de São Vicente, transferiu a capital da Capitania de São Vicente para a Vila de São Paulo, que passou a ser a "Cabeça da Capitania". A nova capital foi instalada, em 23 de abril de 1683, com grandes festejos públicos.[42]

Por ser a região mais pobre da colônia portuguesa na América, em São Paulo teve início a atividade dos bandeirantes, que se dispersaram pelo interior do país à caça de índios porque, sendo extremamente pobres, os paulistas não podiam comprar escravos africanos. Saíam, também, em busca de ouro e de diamantes. A descoberta do ouro na região de Minas Gerais, na década de 1690, fez com que as atenções do reino se voltassem para São Paulo.[43]

Foi criada, então, em 3 de novembro de 1709, a nova Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, quando foram compradas, pela coroa portuguesa, a Capitania de São Paulo e a Capitania de Santo Amaro de seus antigos donatários. Em 11 de julho de 1711, a Vila de São Paulo foi elevada à categoria de cidade. Logo em seguida, por volta de 1720, foi encontrado ouro, pelos bandeirantes, nas regiões onde se encontram hoje a cidade de Cuiabá e a Cidade de Goiás, fato que levou à expansão do território brasileiro para além da Linha de Tordesilhas.[44]

Quando o ouro esgotou, no final do século XVIII, teve início o ciclo econômico paulista da cana-de-açúcar, que se espalhou pelo interior da Capitania de São Paulo. Pela cidade de São Paulo, era escoada a produção açucareira para o Porto de Santos. Nessa época, foi construída a primeira estrada moderna entre São Paulo e o litoral: a Calçada do Lorena.[45]

 

 
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